O tilbure antigo visão, do concreto armado, das estruturas de aço, do radar. A arquitetura deve ser um espelho dos tempos. Não ha muito que pensar, portanto. O professor Anhaia Mello respondeu com acerto: "Ninguém pjerguntará aos médicos e bacharéis em direito se cuidam da saú_ de e interesse dos clientes, usando métodos modernos ou antigos. Não há, que eu saiba, médicos e bacharéis góticos, bisantinos, grç_ co-romanos, barrocos ou cubistas". iWilliam Lescagle, criticando os arranha-céus americanos, diz = Olhemos para nossos prédios de apartamentos ou hotéis. A fórmu-' Ia convencional é esta: toma_se uma casa do século XVIII, corta-se horizontalmente em duas, apli_ ca-se_lhe em dois andares um revestimento de pedra e uma bem proporcionada cornija, adicionam-se doze andares de tijolo à vista, e então, uma grande_ corai, ja; depois, mais dois andares com alguma d|ecoração e termina-se com a cornija final e uma balaus-trada". Pode-se chamar a isso arquite. tura? NÃO. Em todas as épocas, como hoje, só poude e só pode existir uma boa arquiterura: — A arquitetura Contemporânea — A que traduz o espirito de seu tempo, a que (emprega honestamente a técnica, os materiais de que dispõe, a que é uma verdadeira expressão da vida econômica, politica e social do povo que a constrói — que e creação e não imitação. A arquitetura deve ser um (espelho dos tempos. A arquitetura do século XX nao pode ser gótica nem bisantina. Tem que ser moderna. O Museu de Arte Moderna de Nova 'York publicou um sfolhteto sobre arquietura contemporânea. Para bem elucidar seus leitores, apelou para uma frase de Vitru-vius, o arquiteto romano, que viveu há 2.000 anos. Utilidade, " resistjfmoda ,e beleza são elementos indispensáveis à arquitetura. Sigamos o caminho traçado pelo Museu de Nova York. Examinemos a arquitetura, em geral, baseando-nos na opinião do autor de "D)e Arquitetura". Utilidade, resistência e beleza. Interpretamos a utilidade em nossas construções de hoje na mesma maneira que nossos avós, no século passado, ou os romanos ou os egipcios? Os conhecimentos d|e resistência que temos hoje.i quando calculamos uma estrutura de concreto armado ou aço são os mesmos que os antigos tinham quando levantavam uma alvenaria de pedra ou uma parede d|e taipa de pilão? Si considerarmos que ha beleza em um edificio de hoje, com vinte, ou trinta ou cem andares, a forma, as proporções desse edifício podem ser as mesmas de uma pirâmide egipcia ou da Acropol|e de Atenas? Vejamos primeiro a: UTILIDADE. A ciência, nestes últimos cem anos, alterou por completo a idéia de conforto, de espaço, de tempo e de utilidade, portanto. Descobriu-se a eletricidade. Descobriu-se o radio. E o avião, o automóvel, a estrada de ferro, a tele- Ura autogiro parado no espaço. visão, os novos sistemas de construção, o ferro, o concreto, as geladeiras, os elevadores, as matérias plásticas, o telefone, o radio-tielegrafia, o radar, a bomba atômica. Tudo isso alterou, direta ou indiretamente, nossa interpretação de utilidade. As ruas do Rio de Janeiro, nos principios do século XIX eram tão estreitas que, se uma pessoa estivfesse em um de seus lados, num dos moucharabiens existentes, poderia dar a mão a quem estivesse em outro moucharabihs, no lado oposto. E essas ruas eram suficientemente largas para o transito da época. Mas o transito aumentou, e o Rio d|e Janeiro não mais poude ter essas estreitas passagens. Rasgou-se a Avenida Central apesar da critica surgida: Administração maluca! Desperdício de espaço. Esbanjamento dos di-nheiros públicos. Para que mais de Una avião que transita uma rua como automóvel. 30 metros dje largura?! E o Rio cin-tinuou a crescer. 30.000 automóveis percorrendo a 80 e a 100 kms. por hora. Novas avenidas abertas. Cento e tantos metros de largura. Tão largas, tão belas, tão imponentes, que os ditadores as batizam com seus próprios nomes, como se, pretenciosamente pretendessem comparar sua grandiosidade à das avenidas. Passamos da era do trabalho manual para a era das industrias mecanizadas. Não se fabrica à mão um automóvel, como eram fabricadas as antigas liteiras. A Companhia Ford está produzindo 3.000 carros por dia e prjetende produzir, em breve, 10.000. O trabalho de um homem sozinho, sentado num trator, é equivalente ao de milhares de escravos de nossas antigas fazendas, no preparo da terra. Há poucos dias fui ao Rio de Janteiro, de avião. Sobre a Cidade Maravilhosa havia uma densa neblina, que dificultava o pouso. O piloto resolveu descer ali adeante, em Belo Horizonte, enquanto esperava que o tempo melhorasse. Três horas mais tarde desci no Rio de Janeiro, tendo almoçado em Lagoa Santa. Será que D. Pedro acreditaria nessa historia? Ele que, apesar de ter sido considerado um campeão d|e velocidade, em seu tempo, levava 6, 8 dias para vir do Rio a São Paulo, no lombo de uma besta tordilha? Em 1903, um automovvel bateu todos os recordes de travessia dos Estados Unidos. Partiu da costa do Atlântico e, depois de vencer inúmeros obstáculos, graças à perfeição de seu motor e ao heroísmo de quem o dirigiu, alcançou a costa do Pacifico, no tempo assombroso dé 63 dias. Recentemente, três pilotos militantes norte-americanos, experi-