As empregadas de hoje recebem ordenados; não são mais compradas como animais. Conheci, uma senhora, que se casou aos 13 anos d|e idade e ganhou como presente de casamento uns arreios completos, encomendados sob rrfedida para seu cavalo pampa. Não teve dúvida. No mesmo instante poz uma escrava de quatro, jogou-lhe a sela por cima, apjertou a barigueira e sentou-se de banda, como era moda, para experimentar o presente. — Mas a empregada de hoje é gente como a patroa. Não dorme na sen. zala. Exige radio no quarto, cama ihacia, cobertorles, banho quente. E se não está satisfeita no emprego, abandona-o. A patroa que lave os pratos, limpe os moveis, encere a casa. Será que a senhora de hoje, a dona d|e casa que vaii fazer compras na feira de calças compridas fe Sweater" e que nem sempre pode ter uma empregada, tem a mesma noção de utilidade que a-quela vovó da fazenda, de anqui-nhas e espartilhos, com suas 10 ou 20 escravas prontas para servi-la? Não. A noção de utilidade é diferente, hoje da de hontem. E, se a arquitetura tem que ter utilidade a arquitetura d|e hoje tem que ser diferente da de ontem. Os fabricantes de automóveis apresentam, cada fim de ano, um novo tipo de carro, no qual íntro-duzem todos os melhoramentos que a ci|encia lhes proporcionou, depois do aparecimento do tipo anterior. Um novo sistema de lu-brificação. Um motor mais silencioso. Freios mais eficientes. Um sistema de molas mais macio, etc. Para 1947, já se ouve dizjer que havferá carrosserias inteiriças de matéria plástica mais resistente que o aço. Seria um absurdo que alguém, hoje em dia, encomendasse à General .Motors um 'Chevrolet tipo 1931, por exemplo, ou a H|snri Ford, um velocipede, igual ao que ele dirigia, com tanto orgulho, em 1896. Cada tipo novo, que surge, traz novos melhoramentos. Cada melhoramento apresentado modifica nosso conceito de utilidadje. Poderá esta clama antiga, dentro dessa gaiola, sentar-se naquela cadeira moderna? Um cientista, um dia, inventa o cinema. Primeiro, a lanterna mágica. Depois, o cinema mudo. Os ( arquitetos desenham salas e mais salas de projeção, preocupados com a boa visibilidade dos espectadoras. Aparece um outro cientista, e inventa o cinema falado. Pronto. Estragou-se tudo. A sala de espetáculo precisa agora de boa acústica. Tranformou-se por completo, o conceito de utilidade. Foi Vitruvius que nos disse que a arquitetura não prescinde da utilidade. Mas a utilidade hoje é diferente da 'utilidade do tempo dos romanos. A arquitetura de hoje tem que ser diferente dado tempo dos romanos. Uma sala de operações de um hospital precisa ser bem arejada e bem iluminada. Façamol-a, então, arredondada, cercada de vi- A mulher moderna , draças imiensas, deixando entrar o ar atravez de telas metálicas, que impedem a passagem dos mosquitos. Aparece um outro cientista e diz: "Eu ponho, ai dentro, ar condicionado. Puro, filtrado, de hu-mindade controlada, de temperatura agradável. E tenho uma lâmpada de luz constante e claríssima, que não faz sombra". La se vai, de novo, por terra, o antigo conceito de utilidade. A sala de operações não precisa mais daquelas enormles janelas.