BILHETES DO PAIS DA ARTE José de Almeida Santos Damos início no presente número á publicação dos BILHETES DO PAÍS DA ARTE de autoria de nosso colaborador José de Almeida Santos. E', como sugere o título, mais a reportagem despretenciosa dos velhos monumentos da Itália feita através o temperamento de seu autor. Alem das impressões de atualidade, temos a descrição rápida das mais notáveis esculturas, pinturas, sem esquecer o mobiliário, assunto de sua predileção e para o estudo do qual fez a presente viagem. Roberto A. C. Brito 12-8-1947 do, a Gávea, recortavam-se em azul Municipal, constituem realizações 1 _ da Prússia no fundo alaranjado do dignas de ser visitadas em São Pau- entardecer. Depois do jantar os re- Io pelos interessados. O incômodo Levamos quatro dias de navega- cem-embarcados procuraram seus periódico causado pelas turmas de ção desde a tarde chuvosa em que camarotes, afim de se prepararem viajantes é recompensado pela pro- 0 Vulcânia deixou o porto de San- Para a lonSa travessia. paganda no exterior de nossa ca-tos. Ja é tempo de anotar nossas Após quatro dias já tivemos tem- pacidade construtiva. Fixando-se impressões. O quadro oferecido pe- p0 de registrar certas impressões aspectos materiais e intelectuais do los cais, cruzados por vagõesinhos que julgamos ser de interesse geral, po™> evitaremos que se pense que elétricos, tratores, rebocadores; _ para nós do Brasil — o que fa- ?, Kl° e ?.capl\al da Argentina.. . guindastes elevando enormes baús remos no próximo bilhete .° Kl° na ° Museu Histórico Nade porão; escadas de acesso cons- cional, o da Quinta da Boa Vista, o tantemente cheias de pessoas como — II — de Belas Artes, a Biblioteca, .a Casa formigas subindo e descendo; o ....... de Rui Barbosa, os palácios da ABI, ruido dos caminhões e dos automó- lá-8-1947 Ministérios da Educação, da^uer- veis soava como discordante sinfo- O mar que sulcamos tem sua his- í3' -°. Jardlm. Botânico; o Jóquei nia stravinsquiana. Volumes ènor- tória, moça como a das nações ame- Vi" ' as Igrejas, o Arqueduto etc, mes cobertos de lonas aguardavam ricanas. Suas recordações não se dignos da atenção do estrangeiro, desembaraço para seguir seus des- afundam no passado remoto. Aqui , ° viaíante ter acesso a esses tinos. O navio afastou-se docemente. não houve barcos fenícios de bojo lugares e conhece-los, devemos A multidão, no empedrado lodoso, redondo e valas de púrpura, desses mandar imprimir folhetos ílustra- agitando lenços, a medida que a que levavam a civilização ao Oci- írs í^r?™11)» f*?0es necessarias- enorme massa de aço se distancia- dente europeu. Foi testemunha, no V v.eln.° VA.' t°iego de gato, po- va, lembrava graciosos e pequenos entanto, da heroicidade de punha- deria justificar sua existência con- brinquedos impulsionados por mo- dos de portugueses e espanhóis que, cretizando essa aspiração. Ias. O paquete cruzou as águas quie- em suas galeras, sofrendo invensí- No ano passado, (exemplifica-tas e oleosas do canal. Ao longe veis toda adversidade, deram ao mos) na Argentina, vimos, nos ho-ainda alguém enxugava discreta- mundo um novo mundo. teis, propectos de toda espécie, con-mente a lágrima rebelde de alegria A tradição de nosso continen- vidando ao esporte no gelo de suas ou saudade. t ou melhor dos paises que 0 com. montanhas de Cordova, de Mendo Na madrugada seguinte, no Rio, põem, deve firmar-se, é obvio, em ^u^Tyev "utXreTiíovar' não foi possivel atracar, o que só se £***£-• Z^VLZrtolme SusTrutôs".HoíSSi "¦ v àjaTn^ fez quase ao meio dia por falta de seus tilhos kste - o assunto suge- . visitar suas indús- espaço. As montanhas, os arranha- rido no bilhete anterior. £g£ dfnc^ivae™r ^ndefl céus, o aeroporto, o relógio cia E'um pouco constrangedor ouvir brica de móveis... Tudo organi- Central são pontos de referencia, da boca de milhares de viajantes zado, com dias e horas fixos para So a natureza, porem, deslumbra os apenas a tradução de suas emoções as visitas, horários de trens, ônibus viajantes. Saboreando a vista de admirativas pela nossa natureza. e aviões... encantamento que e a entrada do Porque eles ignoram o esforço do ~ „to„t„ t •„,„ Sodn°taRm°ndaecoamnea d°é Sfíffi ÍS^fÜSSSt â£f jffS ff^ S£&£&&TZ Ihos como longa estrada... conhecem os bairros residenciais e de< a nQ Recif dinamismo paulis. Houve as trese horas grandes ban- o Butantam, do Rio, o Corcovado ta CQm sua indústriai sua lavoura, quete a bordo oferecido pelo cônsul o Pao de Açúcar e Coparabana. A beJez d R. _ t d di. italiano, ao presidente Dutra. Os Ilha Fiscal parece-lhes uma igreja yulgar porque n0s faltam escrüó. passageiros de primeira e segunda 0,tlt ¦ A u™0F I pi rios de propaganda e turismo que desceram para fazer a volta da Ti- plantada no meio oa Daia, ae 1 ei orientados tecnicamente poderiam jucá. MamtbutC°i da„Bahia- d°s etstados d0 produzir resultados surpreenden- 1 Norte tudo ignoram. Parte da res- { v Saimos do Rio as cincos horas. ponsabilidade cabe a nós próprios Por toda parte balançavam-se pe- que não divulgamos nossos monu- Para terminar o presente bilhete quenos navios e embarcações. As mentos, nossas instituições cientifi- aventuramos uma generalização: barcas de Niterói cruzavam-se, an- ca etc. O Orquidário, o Museu de poucos brasileiros, também, podem tiquadas, suas rodas enormes ele- Madeiras do Horto Florestal, o Ipi- saborear a grandeza de sua pátria, vando turbilhão de água efervescen- ranga, o Instituto Biológico, o Agro- E isso se deve, em parte, a falta de te... O Pão de Açúcar, o Corcova- nômico, a Policlínica, a Biblioteca grupos que se proponham a divul-