VERDADE E MENTIRA EM ARQUITETURA Henrique E. Mindlin Alguém já disse que as palavras UM POUCO DE SEMÂNTICA. laboração à procura de um objeti- «Pt-vpm nara pseonder o Den- ' • x i . v0 comum, em lugar da relação an- ™So Mais do aue isso elas K A que ™ lsto ™T Palestl"a SCÍ" terior de autoridade de um e sub- tambem'servem muitas vezes para brte T,e,rd^de e ™?b™ em ^m" serviência de outro. É o dogma- tamüem servem, munas vezes, paia tetura"? Veremos isso logo adian- «CTVirl omnrnartn da* academias esconder a falta de pensamento, a t u ¦ to d introduzir em tlsmo emProaao. aaf acaae™íds ausência de idéias Servem ainda Ja e tmpo ae se mtroauzir em piparote da analise ausência de meias, servem ainaa torno da fllosofla da arquitetura a /,„„.,).,(„ v F para disfarçar, pela nitidez apa- anéiise esclarecedora da semântica. lingüística, rente de uma frase pronunciada Embora seja uma ciência relativa- com segurança, a nebulosidade, a meEte nova e €ste:a ainda em fase PEL0 ESPIRITO DE PESQUIZA falta de solidez de um conceito que de elaboração, a semântica — a nao resistiria a qualquer analise. ciência dos símbolos na linguagem, E nada se perde com isso. A esse Mas ha um perigo mil vezes maior estudo do significado das pala- dogmatism0 arrogante que aponta no uso das palavras: e a sua reper- da sua ação n0 pensamento - caminhos pré-estabelecidos e que cussao no pensamento, e a sua in- ja Se assinalou por uma contribui- não tolera nenhuma dúvida, ne-fmencia nos nossos processos men- § importantíssima no sentido de T' pergunta substitue-se o estais, e a distorção que produzem £acüiJ 0 g0 dos têrmos em nhuma pergunta nmtn e o nas nossas idéias a magia da lin- uma discussão e de evitar mal-en- São daquela que com paixão guagem o efeito e o valor atribui- tendidos e desvios qUe tornam im- ffnSidade procuram formular fmemoHa f ^ ^ * ^ emP°S Possivel chegar a Qualquer condu- respostas adequadas aos problemas imemoriais. sgo útü Basta cltar a distinção noyos do posso temp0- Ngo é a A confusão entre a "cousa" e o ^tre as afirmações de^ordem sim- anar uia a desordem, que se esta-"nome" da cousa domina o pensa- bo ica e as de ordem emotiva sim- belece, mas a liberdade de ação mento humano desde a suaSm. bó^1CaS aqUelfaSt ^Sí*™ afe indispensável em uma época de mu-Dai a identificação entre o objeto r.eíerlr um fato; emotivas ou afe- d £ liberdade que permite exar e o seu nome, daí o poder mfíico *ívas> aqU£Llas qUG S€ *&?"2 J minar de novo problemas cuja soque sempre s'e atribuiu t\ZÍZ J» ^TS^^^So^ 1UÇã° adicional se revela inapro-cia de certas palavras, daí o mito terminada no ouvinte Priada e que permite recrutar Para da "definição" única, rigorosa e terminada no ouvinie. a m& soluçao todas as novas possi- precisa, dos termos que usamos, de- Um dos Setores mais duramente bilidades técnicas fornecidas pela finição destinada a estabelecer pa- atingidos pela análise impiedosa da indústria dos nossos dias. Ao mes-ra cada palavra um sentido claro e semântica foi o da Estética. Inú- mo tempo, limpa-se o nosso cami-completo, que se supõe independem meras criaturas sempre julgadas nho de uma porção de trambolhos te da situação ou do contexto em formidáveis e temíveis, sempre so- que o atravancavam, dificultando que seja empregada. Daí, finalmen- letradas com maiúsculas, sempre qualquer progresso real. Desapai-te, um milhão de confusões em to- entrincheiradas na tribuna acadê- recém desse caminho todas as pre-dos os setores da atividade intele- mica como representantes augustos tenciosas e inúteis teorias estéticas, tual, daí tantas estruturas filosófi- de uma realidade superior, viram- puras construções verbais erguidas cas pretenciosas, que não passam se de rePente reduzidas a meras para deleite de dissertadores e que de palavreado em torno de pala- expressões verbais — expressões jamais contribuíram para orientar vreado e aue sempre foram o tor verbais de significado variável ou o artista em qualquer sentido crea-mento dos coleaiaís-rnntPndac ana que nao significavam cousa ai- dor. Desaparecem, felizmente, toldadase dLcuS^nffndáv^ mfp guma' no sentido «enüfico que se das essas teorias que pretendem edelolrtTln h q ihes ^eria atribuir. O Belo, o Su- aprisionar o artista numa camisa de sa !!« P da ,° nVCr" blime> ° Bonito> ° Verdadeiro, o força de conceitos aprioristicos e sa entre_ amigos para o da luta en- Rom) 0 Vermelho, o Decorativo, o que, diante do mais leve desvio das tre irmãos, que crescem do desen- Popular, o Aristocrático, o Movi- rotas consagradas, diante da pri-tendimento entre grupos humanos. mentado, deixaram de ser, assim, meira manifestação do gênio indi-para a guerra entre nações. Tudo os "papões" com que mestres ame- vidual que enxerga uma estrada no-isso porque cada palavra tem um drontavam alunos, os fantasmas va, se vêem ameaçados de esfa-sentido diferente cada vez que a c.om Que críticos atrapalhavam ar- eelamento e porisso se arregimen-empregamos, ao passo que o nosso tistas. Não porque tenham desapa- tam na tribuna retrograda de al-interlocutor nos responde usando as recido — que isso não aconteceu — gumas academias, para a negação mesmas palavras no sentido que ele . ma£ Porque se verificou que não infundada mas teimosa, desespera-lhes dá, aquele sentido que ele lhes tinham nenhum significado defini- da mas gritante, de fatos e de rea-atribue na situação mental em do no sentido simbólico estrito, por- lidades que se evidenciam aos olhos a„e se encontra naauele instante QUe na0 P°diam ser consideradas de todas as pessoas de bom senso, que se encontra naqueie infame como expressoes sucetí¥eis de qual- ^ preciso. qUer verificação teórica ou prática. Desaparece assim do nosso cami- Permaneceram assim como expres- nho — e nao S,Ç assuste ninguém Em outras palavras. quando duas s5eg váUdas nò sentido*afe_ com p que vou dizer — a noção de nações se combatem ambas preten- üvo Qu .emotivo ist0l é deno, que e procurando o Belo que o ardem estar lutando a favor do tar opiniões sentimentos ou dese- quiteto realiza o seu trabalho. Nao "Bem", contra o "Mal". Mas o es- joS- Tudo ^ tg b é. O Belo —; eçhão vou tentar aqui petador neutro percebe que "Bem" trato e teórico, tem na verdade um ,° esforço "iutil.de definir em pa-e "Mal" têm, em cada caso, um sen- resultado altamente prático. Si o ía3,ras unia, realldade ^e, embora tido inverso. Quando um "chauf- "Belo" é um conceito indefinível, indiscutível so pode ser apreendi-feur", no meio da estrada, diz: - afetivo, significando cousa diferem ^UtA^^^Z^ll "Que noite escura!» ele pode estar ^ pf/a ^ada ü^oa que o empre- felicidade que, ao fim do seu tra- exprimindo o desejo de Lnder os ^'«uUiao^br^ §S??£ SSK^«"S^2fSifiSS: seus faróis mais fortes. Mas si uma deve ser aceito sem nntp= cPwHfi I soore o promema que eniren mnrinba na.^pianHrv tinir, mmm aceno sem antes se verifi- tou e dominou. Mas a procura con- mocmha passeiando num parque Car quem o emite, porque o emite, ciente do Belo, na elaboração d* acompanhada, pronuncia as mes- em que condições o emite. Prati- obra arquitetural, só pode conduzir mas palavras, o seu companheiro camente, portanto, entre mestre e ao formalismo vazio da cópia aca- pode se sentir no direito de dar a aluno, entre crítico e artista, estar demica, da cópia arqueológica, ou essa frase um sentido diferente. belece-se uma relação nova, de co- eclética ou pseudo-moderna. )3f