OS TREIS FATORES PRINCIPAIS PARA OBTER-SE BÔA ACÜSTICA FÔRMA VOLUME ABSORÇÃO DO SOM Uma má acústica é devida em grande parte da péssima distribuição do som, que é uma das causas principais que prejudicam uma bôa acústica em ambientes já descritos. É muitíssimo comum a constru-,,, ção de tais ambientes visando economia, questões estéticas, ou ainda falta de conhecimento, despresando a parte acústica, o que é necessário para tais ambientes, ocasionando péssima audição em qualquer ponto que esteja sentado o ouvinte ou ainda o ouvinte de rádio em sua residência, devido a má acústica da estação. O primeiro acha ser o defeito unicamente do aparelhamento do cinema e o segundo, apresenta diversas causas, acusando principalmente também o aparelhamento da estação. A vantagem do desenho acústico para cinemas, teatros, auditórios em geral, etc, é que as características para uma bôa acústica sejam prescritas na planta, inclusive detalhes no modo de aplicar os materiais acústicos recomendados para este ou aquele estudo. Essa planta evitará a incertesa e apreensões experimentadas pelos arquitetos sobre os resultados da audibilidade, e será muitíssimo menos dispendiosa, do que uma correção feita depois que o ambiente em questão esteja terminado. Esses desenhos são muitíssimos úteis, pois certos defeitos de acústica que não pareçam existir e que serão descobertos tão logo o ambiente esteje funcionando, serão evitados no desenho final, sendo que alguns dos defeitos não poderão ser corrigidos mais tarde. Exemplo: paredes da retaguarda e parapeito de balcões que geralmente são curvos, tende a focalizar o som em algum ponto do ambiente, salvo determinados raios de curvatura que focalizariam o som além das superfícies que limitam as ondas sonoras ou ainda, tetos curvos devem ter um raio muito grande ou então muito pequeno para focalizar o som muito acima do nível da assistência. Fôrma A fôrma do ambiente é muito importante com o crescente uso de amplificadores de som e consequentemente maiores probalidades de ecos e de outros defeitos que são causados pela reflexão vindo das várias superfícies. Para julgar-se os efeitos das reflexões torna-se necessário fazer estudos geométricos, traçando as fai- Q*7Q A C R O P O L E ^j 2 O MARÇO —1950 rig za Superfícies planas são muito boas para difusão das ondas sonoras, (Figura 2c) mas, superfícies convexas são de uma eficiência considerável e superior a qualquer outra superfície, (Figura 2d) mas deve-se ter muito cuidado, pois as freqüências de 128, 256, 512, 1024, 2048 e 4096 c.p.s. requerem superfícies convexas muito diferentes em tamanho. Volume O volume do ambiente em vista, deverá ser previamente estudado e decidido em proporção com a intensidade do som que aí será produzido. Para orquestras, o volume deverá ser bastante grande, para que haja bastante espaço para me- lhor distribuição da música. Para fins teatrais, por outro lado, em comparação com o caso anterior haverá somente sons fracos, portanto devendo ser uma sala menor. O arquiteto Rino Leví, grande conhecedor da física acústica, ao projetar o Teatro de Cultura Artística, procurou descobrir qual o volume em metros cúbicos, para obter o tempo de reverberação, sem o emprego de materiais acústicos. Devemos nos lembrar também da localização previlegiada do referido teatro, achando-se em rua de pouco movimento e longe de tráfego de bondes. Absorção do som Esta consideração muitíssimo importante, pois é de importância vital para assegurar um tempo de reverberação ótimo, a absorção está diretamente relacionada com os materiais absorventes de som existentes antes e depois do tratamento acústico. Quanto maior for a absorção existente, menor será o tempo de reverberação, devendo-se lembrar que a boa acústica não é a completa eliminação da reverberação, mas sim, determinar qual o tempo de reverberação que deverá existir pois um tempo é imprecindível e a absorção demasiada torna o ambiente "morto", e a reverberação sendo excessiva causará um prolongamento do som no ouvido do assistente, o que muito perturba a audição, ás vezes causando éco, sendo que as ondas diretas chegam ao ouvinte antes das reflexões. Para conseguir-se o tempo ótimo de reverberação torna-se necessário o emprego de materiais denominados acústicos, devido ao seu alto poder de absorção. Todo e qualquer material de construção é absorvente de som, inclusive o próprio vidro, mas a quantidade de absorção varia muito de acordo com a freqüência de som emitido. Quadro II. Para o controle da íeverberação de determinado ambiente 'deve-se escolher o material acústico apropriado. Exemplo: Si o estudo for para um auditório escolar deve-se usar um material acústico de alto coeficiente de absorção na freqüência média, sendo que para um cinema calcula-se em três freqüências, isto é, baixa, média e não muito alta. Portanto, escolher o material mais apropriado para o caso em estudo, de acordo com o aspé-to, preço, etc, é sobremodo delica Io a escolha pois as vezes é bom para certas freqüências e péssima para outras, surgindo então defeitos acústicos. xas de som após sua reflexão afim de evitar quaisquer concentrações das mesmas. As paredes nunca deverão ser paralelas e sim divergentes, dando-S2 o mesmo com o teto e o piso, isto é muito importante, principalmente para auditórios e estúdios de gravação de rádio emissoras. Superfícies côncavas são sempre uma ameaça para a boa acústica, pois as mesmas tendem a concentrar o som em algum ponto. Figura 2b.