EDIFÍCIO "CLEMENTE DE FARIA" . Discurso pronunciado na inauguração do Edifício "Clemente de Faria" pelo Eng.° Dr. Dacio A. de Moraes Júnior Senhores e Senhoras: Assim como na orquestra se teca a partitura de Hoje 16 de Junho de 1951, o Banco da Lavoura um grande autor, aqui também procuramos, como o de Minas Gerais S. A. comemora mais um aniversá- faz o maestro, executar a concepção do arquiteto com rio, o 26.° de sua jovem existência. Nascido porém rigor e graça, dando nossa própria interpretação ao gigante, já estende seus notáveis serviços de norte a P«>Jeto, imprimindo porem um cunho característico sul do país, possuindo uma rede de filiais e agencias ™ ™* execução. Se bem o fizemos, outros irão ju- maior que de qualquer outro banco oficial ou parti- ^ P°rem, em qualquer caso, desejamos afirmar que cular, depois da do Banco do Brasil! dispusemos sempre de toda nossa fe, de nosso entu- „„ . , ,. ., , siasmo, de nossa capacidade realizadora, a serviço Faltava pois, para coroamento dessas atividades ' K , , ., . . i j. deste grande empreendimento, empreendedoras, para espelhar seu potencial e dma- _ , ., , .... Na edificação moderna, como na musica, quando mismo, para melhor acomodar sua administração . , ,... . . ¦ u- ¦¦ *,__•___i „ se inicia um tema deve-se termina-lo na mesma en- central, um edifício matriz que, alem de funcionai e ¦'¦¦¦,-, , , , - „ ¦ tonacão, com o mesmo ritmo, procurando-se destacar espaçoso fosse, também, uma grande expressão arqui- - ' , * tetomea, um passo decisivo e inovador no planeja- certos efeltos melódicos, sempre porem dentro de uma mento dos edifícios bancários brasileiros. harmonia de conjunto. Não e possível uma obra de arte sem coordena- E os que dirigiram e dirigem o Banco da Lavoura ^ gem direc-o de conjunt0; ainda que as parteS; numa demonstração de compreensão e alta visão, bus- isoladamente, 'sejam perfeitas e bem executadas. É caram tal "desideratum". E nós, a quem confiaram ^ que ge dlstingue uma verdadeira obra de arte de a honrosa mas tão pesada missão de realizar aquilo Qutra que> embor& perfeita nos detalhes, padece da que para muitos fora um sonho, sentimo-nos orgu- sintes» harmônica lhosos e satisfeitos em poder dizer hoje que não vos „A arquitetura busca suas finalidades e seus fun_ entregamos somente uma obra magestosa, elegante e , . • . •. -, „ , _ j '» / s ..'.-. damentos, nao no espirito dos homens nem dos fatos fria mas, ao contrario, um edifício também aquecido , . . , • ; ¦ .-, , ^ da vida privada, mas sim em uma unidade superior: pela chama de nosso entusiasmo, com um pedaço de . ,- j . , , ,, , . na sociedade e suas necessidades . p " ' Uma necessidade social nunca é tão simples co- Assim como o artista se confunde com a própria m0 um pensamento, um sentimento ou um aconteci- obra, também o engenheiro se identifica e marca, mento; abarca funções diversas, serviços variados, com sua personalidade, os trabalhos que realiza. Eis concurrentes todos a um mesmo fim, mas subordina- que ha sempre arte, envolvendo a própria técnica dos uns aos outros. Sua expressão arquitetônica deve Pura- responder a essa multiplicidade de funções e conser- Aos leigos, aos não afeitos às construções dos var certa hierarquia, modernos e grandes edifícios, tudo parece simples A ordem e simplicidade serão pois as condições quando vê e usa os ambientes magestosos e confor- preliminares da concepção do monumento arquit-eto- taveis como estes em que nos achamos, depois de nico que, assim construído, com estas condições de terminados!! expressão verdadeira, será sempre sóbrio, sempre Mal sabem eles quantos milhares de horas de belo. Mas a construção não está ainda completa, pois imaginação creadora, de estudos, de cálculos, de de- não nos contentamos com uma verdade tão simples, senhos, de projetos, de controle administrativo, sem tão pouco adornada, demasiadamente nua; dotamos mencionar as de mão de obra, precederam a este ato então o edifício de uma decoração expressiva, que inaugural!! impressione ao espirito pelo movimento das linhas Tudo foi feito em silencio, em meditação, nas e das figuras, pela qualidade e contraste dos mate- pranchetas dos escritórios, nos escritórios das ofici- riais, pelas cores em consonância, tudo enfim que nas, no cérebro dos arquitetos e engenheiros, no dos anime as formas com certa vida intima capaz de in- decoradores, dos técnicos e, mesmo, dos operários, fundir-nos sensação de conforto e de prazer, formando-se assim uma sucessão de equipes que, em- Parte quasi necessária da arte, embora não indis- bora trabalhando em horas diferentes e locais muitas pensavel, a decoração deve sempre subordinar-se ao vezes distantes, conjugaram seus esforços na realiza- pensamento principal, ao fim útil do edifício. É ela ção deste objetivo, para a construção deste edifício. a trepadeira que sobe ao derredor da árvore, ocultan- Essa grande massa de colaboradores, esses técnicos e do-lhe suas feridas e proporções rudes, emprestando- artistas, esses operários anônimos, formaram como lhe o encanto de suas graciosas volutas, mas que se que uma grande orquestra cuja sinfonia em notas apoia em seus ramos e sem eles não vive. quentes que se plasmaram, representa este edifício E é nesse subtil ajustamento, do arcabouço estru- ao qual se procurou dar sobriedade, simplicidade e tural á respectiva decoração e vice versa, que reside beleza. a maior dificuldade para a produção de um belo edi- EDIFlCIO "CLEMENTE DE FARIA". Nova sede do Banco da Lavoura de Minas Gerais S. A. - Belo Horizonte ACROPOLE "IOQ AGOSTO — 1951 l^v7 _____________________________________________________________________________________.^