URBANISMO... ESSE DESCONHECIDO competentes a rt isques et techniques Heraclito, antes da época áurea de d'une nation". Atenas, já proclamara que o grande pro- Estamos vendo, pois, que não é mais blema da sociedade humana era combi- o "Stadtebau", mas o "landesplannung", nar um gráo de liberdade sem a qual a o que exige uma orientação acertada — lei é tirania, com um grão de lei, sem o Raumgestatung e política apropriada — qual a liberdade é licença. Raumpolitick. , Equilíbrio entre liberdade e ordem, eis Nem se deverá mais dizer urbanismo, o problema fundamental das verdadeiras mas sim "Orbanismo" porque um plano democracias. deveria abranger todo o orbe. Estamos E o grande historiador Arnold Toynbee todos sentindo as desgraças da divisão afirma que o fato marcante do Século do mundo em dois setores — não é possí- XX, que fará a nossa época lembrada da- vel resolver problemas sociais dentro de qui a 300 anos, não serão os crimes horrí- municípios. veis nem as invenções admiráveis, mas E nota Hilberseimer era "The new sim o ter sido a primeira época, desde os City": alboses da civilização, na qual se julgou "City planning is a social task. The possível transformar o bem estar de to- present problems of city planning can- dos em objetivo prático e não apenas not be solved by the patterns of the sonho utópico, past. To attemp to solve them thus would * * * lead to decorative, not structural for- O Urbanismo teve grandes épocas. Na mations. antigüidade o sentido religioso dominou New social demands present new tech- o agenciamento urbano; na Edade Média nical problems.*' o sentido prático; no Renascimento o E o Pierre Vago, já citado, afirma que Barroco, o sentido artístico, aiquitetôni- nas democracias o Urbanismo tem que co, escultural. less webb unity of land, and water, and men. Define também Charles Ascher: the great synoptic art, the greatest of ali arts, the molding of man's environment to realize his aspirations". Ambiente espiritual e material, o primevo, o rural e o urbano; integrados, ordenados e coordenados. O Urbanismo evoluiu, pois, de simples arte urbana a ordenação do espaço. Ordenação, e não organização. Ordem é coisa orgânica; organização é coisa mecânica. Ordem é vida, organização número. A organização divide a terra em secções e unidades fracionadas: estados, Municípios- Isso em regra não tem ligação com a natureza, com os sistemas da natureza e finalidade das coisas. Ordem, de acordo com a velha definição tomista é "recta ratis rerum ad finem". Um rio, em regra nos mapas é divisa, linha divisória que separa; quando na realidade, une, cria problemas comuns: o vale. Por isso a base dos planos é hoje regional; restabelece-se assim a ordem e a interdependência; o equilíbrio. A Região é a entidade orgânica biológica; de equilíbrio de população e atividades; de economia equilibradas; de in-tef ração de indústria e agricultura, a mais velha das indústrias. É um problema de integração, de diversificação de racionalização e de equilíbrio. Problemas noetécnico ou biotécnico de qualidade, e não de quantidade. Sentencia, com acerto Gaston Bardet, em "Mis-sion de rUrbanisme": "Nous somines au state de lámenage-ment de Téspace. II nest plus question de tracer des plans de villes ou de villages, traités iso-lement, independamment de leur cadre et de leurs voisins; mais d'órchestrer des vastes plans regionaux". * * * Há contra esse moderno e genuíno urbanismo, uma forte reação conservadora, visando sempre o aumento dos valores imobiliários em detrimento dos valores humanos. Os proprietários de terrenos dos centros urbanos, que crescem de valor com a expansão da periferia, querem construir 100% da área e a máxima altura, correspondente á máxima retribuição do capital empatado. É para impedir tais absurdos que se devem fazer planos, e não para facilitá-los. Maiores alturas, mais vale o terreno; esse maior valor exige maiores alturas e assim ao infinito — 100, 200, 300 metros. E por isso os terrenos urbanos dos centros metropolitanos alcançam preços absurdos por metio quadrado, preços de inflação, de verdadeiro câmbio negro de altura, contrários ao interesse geral e condenados pelo uVbanismo cuja divisa é tão simples e tão bela: "o maior bem do maior número". (R. Unwin). A época da quantidade, a era paleo-técnica, já passou, ou melhor deveria ter passado. Mesa que presidiu d Sessão SoUne na Faculdade de Arquitetura da Universidade de São Paulo ser obra coletiva, e não pode haver urba- Nessa época barroca a Rua tudo do- nismo imposto em um país livre. minou; preocupação de perspectivas lar» „ ^ , r. « llnn„n„„1Y