R AMOS DE AZEVEDO Menotti Del Picchia tinha sugerido esse belo ges- para apreciar a bela composição clássica das suas to numa de suas crônicas d'"A Gazeta", fazendo notar fachadas. que a alvenaria de tijolos comuns sem revestimento Nunca houve em S. Paulo um exemplo tão cho- está se desgastando pela ação das intempéries, e assim cante, tão incompreensível e injustificável de descaso, exposta a ação dos aguaceiros acabará por estragar- de inércia, de apatia, de tudo que significa o contrá- se completamente. rio de paulistania, a antítese da nossa proverbial ati- ,» .. , , ,, j.' i' „ ^ „,,,;+„ a; vidade e do nosso zelo pela conservação dos prédios. Muito trabalho esta ali empregado,e muito dl- Governo poderia dar ao menos o material, e os nheiro custou. Muitos serviços tem prestado ao nosso ex-alunos iuntirnente aos atuais anrendizes seriam Estado e ao Município, tendo formado milhares de «jg«* fdar três ho°ras ou quX te VabaZ z1raa1amraTqS0ôni?aedf ™ capita gratUÍt° para a realÍZa^ão deSSa °bra de ^™ção zer a fama arquitetônica cia nossa capitai. e ã& carinh0; tão merecidos por essa notável institui- Nesse prédio está instalada a Pinacoteca do Es- ção. Se os nossos Tesouros, Estadoal e Municipal, estado, o Conselho de Orientação Artística, a Escola de tão em tão míseras condições de não poderem fornecer Belas Artes de S. Paulo, as classes e os mostruarios o material, que facilitem de qualquer modo a sua rea-do Liceu, uma escola pública de alfabetização. Com lização, e faça-se uma subscrição pública para anga-isso tudo, nem limpeza das calhas tem sido feita, riar fundos. ostentando-se esse descuido e desamor pela existên- À firma Severo & Villares seria entregue a dire- cia de vegetações, já bem crescidas, e visíveis da rua ção gratuita dessa obra de conservação de um pre- a quem passa por suas imediações, e levanta o olhar cioso elemento do nosso patrimônio artístico. .___________¦----------- -....._________yí, -____________ ;------------------------------------------------ ,JÇ=---------------------------------------------------------------- RAMOS DE AZEVEDO TRAÇOS BIOGRÁFICOS Francisco de Paula Ramos de Azevedo, alunos da Escola Militar. Facilitou, por- Ramos, obedecendo, inscreveu-se no cur- o mais velho dos quatro homens entre tanto, o Governo a saida do exército pa- so de arquitetura e escreveu a seu pai, os nove filhos do casal campineiro do ra esses alunos, tendo mesmo o Impera- que lhe respondeu: "Ora meu filho, pen- Major João Mathias de Azevedo e de dor feito menção do futuro da Engenha- sa bem; engenheiros temos poucos e há Da. Ana Carolina de Azevedo, veio ao ria Civil. muito que fazer — e para arquitetura mundo na capital de S. Paulo, á rua 15 aqui temos bons mestres de obras." ... , , „ . Ramos de Azevedo volta, então, para de Novembro bem em frente a antiga Campinas e emprega-se nas primeiras Felizmente para nossa arquitetura a parte da rua da Boa Vista, hoje com o ^^ da de ^ resposta de seu pai chegou-lhe quando nome de .5 de Dezembro, no dia 8 de De- .... . . êle já se adiantava com brilho no curso . , .„_. Ferro, onde inicia sua vida como aju- zembro de 1851. ^^ ^ engenhelro e aesenhlgta. Tra- de ar9«itet»ra « toma™ ™urt° gosto por Nasceu no dia em que sua progenitora balhou no reconhecimento das duas es- êste ramo de engenharia artística. Ma- chegara de Campinas para fazer com- tradas que abriram à Sua cidade natal e triculou-se também na Escola de Belas panhia à sua irmã e depois madrinha de ao seu Estado possibilidades para seu ArteS de Gand' °nde fez ° curso conc°- Ramos de Azevedo, que tinha sua resi- crescimento. mitantemente. dência na rua da Imperatriz agora 15 de ...... Aos 16 de Outubro de 1878 recebia da »T , , i, , ,. j „ Trabalhou com atinco e inteligência Novembro — onde esta localizado o Ban- ¦ . ,„„. Universidade de Gand, sob o selo de Sua , „ , . T , - . . . „- „ juntando alguns meios para, em 1874, co do Comércio e Industria de Sao Pau- " -...*.'. . Magestade o rei da Bélgica e o júri de . embarcar para a Bélgica afim de seguir J '"• o curso de engenharia e diplomar-se. Era nomeação ministerial de 6 de Junho de Francisco de Paula Ramos de Azevedo então seu desejo obter o título de En- 1878 ° dinloma de "Ingenieur Architecte" com poucos dias voltou para Campinas genheiro Civil. com.a honrosa menção de "Avec Grande onde residia sua família, terra de seus Distinction . ,-.-.„. ,. , Matriculou-se na Universidade de Gand pais e dele próprio, como se orgulhava de . anl„ .,«sim i ,,,,,.¦,,i,, em ni.inii.iir, i„„. ~, , „ . , . juntamente a outros brasileiros que tam- hala asslm laureado em pnmeii o lugar declarar. Seus pais eram ambos de remo- . , „~ rl,vvri *,, ui„o-eiiiiíivií, o 4r«„iioH„.o .i0 „ „ . bém se notabilizaram, como Alfredo Mala, ° cur&° ue engenharia e Arquitetura da ta origem portuguesa. Em Campinas pas- _, ' TTiiivíii.t£,-,i!wiíí íi*> r^mifi *. ™m nMav^» ^i« . . . . . Francisco de Salles Oliveira, Antunes Ma- Universidade de Cand, e com prazer via sou sua meninice e aprendeu as primeiras ^ g Werneck o seu grande amigo e companheiro, mais letras e preparou-se para a Escola Militar tarde cunhado, Alfredo Mala, sair laureado Rio de Janeiro, onde ingressou como Uogo nos primeiros dias o Diretor da do como Engenheiro Civil. Dois brasi-cadete nos tempos do início da guerra do Universidade ao passar pela mesa em leiros que brilharam em seus cursos uni-Paraguay. que desenhava Ramos de Azevedo foi versitários na Europa e foram notáveis Já dotado de senso artístico e ordeiro atra,ido pela Perfeição d« ^us desenhos profissionais em seu país. „ . , ii • i i * e> chamando-o a sala da Reitoria disse- „ foi pouco depois escolhido pelo famoso ^ ..^ ^ estudar Os projetos de Ramos de Azevedo fo- General Polydoro para seu amanuense e engenharia civil"; ao qne Ramos respon- lum cscol»id°s V*> Ministério Belga pa- Secretario pessoal. dera ^ pretendla ser Engennelro ci. ra fazer parte da exposição dos belgas Com o término da guerra do Paraguay vil, pois que já tinha alguma prática, e na .g,a,ule Exposição Internacional de o Imperador Pedro II fez sentir aos alu- para o que havia muito trabalho em seu nos da Escola de Guerra que em virtude país. Insistiu o Diretor: "Com seu talento Durante oito anos Ramos de Azevedo da plethora de oficiais vindos da cam- para desenho não há que duvidar — Você trabalhou só ein Campinas, onde deixou panha, pouco futuro haveria para os será um bom arquiteto." mais de dez obras notáveis, entre as quais áh IA ACROPOLE rfaij -, DEZEMBRO — 1951 Vfl I i