SI EU FOSSE PREFEITO... HEITOR A. EIRAS GARCIA Erig." Chefe da Divisão de divulgação Urbanística da Prefeitura Municipal. Um jornalista francês teve, a idéia de, comemoran- 5.300 estabelecimentos industriais, não incluidas as do a data do bimilenario de Paris, escrever sobre o oficinas, garages comerciais e outros pequenos estaque ele faria, para urbanizar a cidade, si fosse rei, belecimentos; que a parte ajardinada de bao Paulo com absoluto poder discricionário. ocupa 737.762 metros quadrados, em cuja conserva-' . , ,. * , i lt- A cão dispende a Prefeitura anualmente Cr$9.600.000,00 Extraio a noticia da edição de agosto ultimo da * exfstem 28.352 lâmpadas para a iluminação pu- revista Urbamsme , daquela capital. ^.^ que cugta à Prefeitura Cr$ 24.542.882,00 por O articulista foi descrevendo tudo quanto um ana homem de gosto mudaria, conservaria ou destruiria Para organjzar uma cidade como S. Paulo, não na cidade-luz. E foi feliz em seu trabalho, a ponto bagta sonhar nem ter gost0; nem poder discreciona- de merecer a sua transcrição numa das mais brilhan- • tes revistas de urbanismo^da França. ' Qg problemag atuais se agravarao com os anos, Com a imaginação, não existe tarefa mais fácil principalmente em conseqüência do aumento cons- que a do urbanista. E' a ciência que mais induz ao tante de população. São Paulo não sofre, por enquan- sonho. Sobre a planta da cidade, de lápis em punho, t0> das miserias qUe torturam outras grandes capitais, deixa-se, não raro, o profissional levar pela suave apesar do progresso delas. Mas, infelizmente, caminha planicie do sonho, de mãos dadas com a imaginação. a passos iargos para tê-las muito em breve, si desde Projetar e sonhar são uma só coisa. já nao forem tomadas providencias enérgicas, não só No entanto, na realidade, quão dificil é organi- pelos governos estadual e municipal, mas pelos par- zar a vida humana em cidades como São Paulo, de culares. desenvolvimento acelerado e tentacular, lutando com Um dos problemas mais urgentes e que se vai enormes dificuldades, entre as quais a falta de nume- tornando insoluvel, na terra bandeirante, é o das rario. Por isso, muita coisa que foi planejada pelos habitações operárias. As pesquisas a que o Departa- tecnicos do Departamento de Urbanismo, da Secreta- mento' de Urbanismo, através de sua Divisão de ria de Obras, não foi ainda executada. Falta de di- Pesquisas. Regulamentação e Divulgação, está proce- nheiro. dendo, sobre o assunto, mostram claramente a impor- Não bastaria, pois, a um prefeito ter gosto nem tancia da questão. Tenho à vista os primeiros resulta- poder discrecionario. Seria preciso dinheiro e muito dos daquelas pesquisas. Varias famílias de operários dinheiro. residem na maior promiscuidade. Eis alguns dados, _ „.,.., „- _ , , que julgo alarmantes: familia de 5 pessoas reside num O que foi_realizado em Sao Paulo, em matéria de cômodo e cozinha, na Vila Maria; outra familia, com urbanismo nao o foi por obra de milagre, mas sim a 15 a reside em 4 comodoS; inclusive a cozinha, custa de dinheiro. Talvez, por ocasião das festas do na vüa Nova Conceicao; 8 pessoas> em casa de 2 co- quarto centenário, apareça também, na capital ban- modog cozinh na vila olímpia; 4 pessoas, em casa deirante, alguém que, imitando o articulista francês, dg um gó comodo e cozinh na vila oiimpia; 11 pes- se proponha a ser, por um instante, o prefeito da so em trêg comodos inciusive a cozinha, no cidade e mostre com belas frases, o que ele faria Ipiranga; 7 pessoas, em 2 comodos, num cortiço de para urbanizar Sao Paulo. E dirá: Si eu fosse pre- YUa. T eoDoldina feito...". ^ ,. , , ' , As 87 famílias pesquisadas, de operários, com Mas, todo o seu entusiasmo desapareceria, por 576 goag residindo em 192 dormitórios, dão a certo, si esse alguém antes de sonhar, soubesse que média de trêg as dormitório, o que é S. Paulo, nestes últimos dez anos, teve um acresci- inadmissível mo de população de 901.251 habitantes, sendo 230.640 nascimentos e 670.611 imigrantes, perfazendo atual- Lembro-me de ter lido ha muitos anos, num nu- mente um total de 2.227.512 almas e não dispõe ainda mero da revista "The American City", o recurso de de uma planta atualizada do Municipio; que esse au- Que lançou mão a Prefeitura de uma cidade do Estado mento de população, no ano passado, foi de 24,10% do de New York para resolver o problema de certo total ocorrido em todo o Estado de São Paulo; que bairro operário, que apresentava habitações coletivas em 1950, a capital bandeirante registrou 21.028 casa- nas piores condições possiveis: desapropriou toda a mentos, que, foi o maior numero realizado em todas as are.a ocupada pelos cortiços. Levado o caso à Corte de cidades brasileiras, dos G3.285 verificados em todo o Apelações, esta julgou procedente a ação de desapro- Brasil; que a superficie do municipio de São Paulo, priação. A sentença, si não me falha a memória, não incluindo Santo Amaro, é de 1.572.648.032 metros qua- se fundou unicamente no fato de não poderem os drados e o seu perímetro é de 299.000 metros; que a proprietários particulares sanear convenientemente zona rural, cuja urbanização se processa rapidamente, aquela região da cidade, mas por ser fonte perene de à revelia da Prefeitura, ocupa uma área igual a . . . . doenças e maus elementos à sociedade. As despesas, 563.107.382 metros quadrados; que a área edificada no com a expropriação, dizia a sentença, serão facilmen- municipio é calculada em 360 quilômetros quadrados; te recuperadas com a economia que fará o Estado nos que transitam pelas ruas da metrópole, diariamente, serviços de assistência médica e hospitalar e de justi- 87.178 veículos motorizados, sem contar os que proce- ca, com o desaparecimento de um foco tão perigoso dentes do interior circulam pelo municipio; que exis- Para a coletividade. tem atualmente em circulação 1.249 ônibus, e 405 O articulista francês, por certo, si viesse a São bondes, que transportam, em média, diariamente, Paulo, para sonhar, lembraria medidas como a que 3.400.000 passageiros; que se espalham pelo municipio foi adotada no Estado de Nova York. «OQ ACROPOLE O O O FEVEREIRO — 1952