URBANISMO PARA O POVO A OPINIÃO PUBLICA HEITOR A. E1RAS GARCIA, eng.° chefe da Divisão ãe Divulgação Urbanística da Prefeitura de S. Paulo Acredito que não haja no mundo outro povo mais do país. Raro é o cidadão que não se julga prejudicado disciplinado e ordeiro que o paulista. Por isso, a facili- se observar rigorosamente as disposições legais". E dade com que ultimamente são burladas as leis muni- contou-me os disparates praticados por um seu vizi- eipais, relativas às edificações e arruamentos e lotea- nho, ao erguer um edifício de dois andares em lote mentos de terrenos, causa profunda impressão a todos contíguo ao seu, com o intuito de transformá-lo em aqueles que se interessam pelas coisas da cidade. Tem- várias habitações para os filhos. "Para essa gente, a se mesmo a noção exata de ter-se tornado irrefreável questão se resume obter o habite-se. Depois é coisa o desenvolvimento do comércio clandestino, em assun- fácil e tudo corre à revelia da Prefeitura. Para se tos do urbanismo, na terra bandeirante. Diariamente ter uma idéia basta mencionar que na ocasião da são registradas novas infrações naquele setor da ati- vistoria do habite-se existem nas construções portas, vidade humana, que vêm aumentar as já grandes caixilhos, bicos de gás, ocultos sob falso reboco, fà- dificuldades com que luta o governo municipal. cilmente removido depois daquela fiscalização". Atribuo este estado de coisas à falta de educação Na realidade, o infrator das leis municipais é cívica dos transgressores e à ignorância completa das elemento pernicioso, que deve ser banido do conví- graves conseqüências decorrentes dessa maneira de vio social, porque prejudica a ação do governo e cria proceder. sérios embaraços à urbanização do município. Mas Lembro-me do que me disse há muitos anos ami- ninguém crê nessa verdade, porque civismo é virtude go meu que, embora engenheiro competente, tem-se que resulta da educação do indivíduo. Vem da escola mantido à margem das atividades técnicas, porque e do lar. Os exemplos, bons ou maus, são seguidos, dispõe, de fortuna e não precisa trabalhar, ao referir- Não basta ao cidadão civilidade, boas maneiras, poli-se ao meu trabalho exaustivo na direção dos serviços dez, cortesia, urbanidade. É preciso civismo. E isto, de fiscalização de obras particulares: "B preciso ins- infelizmente, é coisa rara dentre os infratores das leis truir o povo para que tenha maior confiança nas leis municipais. ¦ i