No centro do largo, foi construído primeiro urbanista Simao Roem fins do século 18, um chafariz, drigues Coelho, torne-se depois de que nele se conservou até 1886, ano bem tratado, com melhor calçamen-em que foi mudado para o largo de to, edifícios bem cuidados em seu Sta Cecília. Foi o primeiro chafariz novo alinhamento e, ordenando a público que se construiu no centro Câmara a construção de um marco da cidade, bem defronte a Igreja. comemorativo em homenagem a sua O primeiro mercado da cidade, história e ao seu passado, si nao que se compunha de 8 pequenos valer a idéia de se restabelecer o prédios, de porta e janela, se ali- antigo chafariz, erguido por Thebas, nhavam na rua entre a rua do Ko- torne-se êle, um dos pontos atraen- sario e do Comércio, bem defronte tes da cidade. E preciso que os nos- ao Paço Municipal, na embocadura sos legisladores se compenetrem do do largo valor que tem uma cidade que possa Nestas casinhas, nome que deu ^ZJ^Tolt^kLTol "aul origem á Rua das Casinhas e mais visitante^ os pontos historicos, que ta/de Rua do Tesouro, vendiam-se ^7^^^^!™ !™™s\dZZL e prmCipalmente cultura ePdo seu progresso, cereais e toucmno. Uma cidade que destróe sua tra- Esta rua ligava ao largo da Mise- dicão é indigna da história, ricórdia e era ponto de reunião, co- Uma cidade que avança para o mo a rua do Comercio, dos merca- futuro, desprezando as obras do pas- aores ambulantes, provocando o gado na0 tem direit0 ás glórias da aíluxo de índios e escravos, em civilização. torno das bancas e do chafariz, £ gão P'aui0 que tem sua histó- quando nao á compra ao apanho da - traduzida nos poUcos monumen- água que era levada nos potes e íog e edifícios espalhados pela cida- barrís, para uso dos seus senhores. de é preciso que conserve os que Além dos momentos agitados que ainda restam, para que os nossos fi- viveu o largo, com a decisão do Con- inos n0 futuro nos respeitem e nos sclho de Guerra, condenado a forca, admirem. o trombeta Caetaninho, por ter, Estas considerações fazem-me numa festa pública onde compare- lembrar um episódio, ceu a gentalha mais popular da ei- Estando numa tarde chuvosa dade, esbofeteado o filho do Gover- numa obra, e precisando dirigir-me nador Martim Lopes Lobo Saldanha, a cidade, tomei um automóvel, pe- marcou época na história desse lo- dindo ao motorista que me levasse gradouro as discussões públicas dos até a porta da Câmara, pois ficaria pequenos industriais paulistas, ante para mim mais rápida a chegada ao a publicação da ordem regia baixa- escritório, subindo a ladeira Dr. da por Dona Maria I, em 5 de Janei- Miguel Couto, antiga Grande-Hotel. ro de 1185, extinguindo no Brasil Tocou êle o carro, passando mo- sob severas penas, todas as fábricas, mentos depois, por detráz do teatro manufaturas, teares de galão, bor- Municipal agora em reforma, dados de ouro, prata, seda, linho, lã Imaginando-me agente do poder ou algodão, permitindo apenas a ia- municipal, ou membro da Câmara, bricação de pano grosso de algodão, sabe-se lá o que teria pensado o para uso dos negros, índios e pes- homem de minha representação po- soas pobres. lítica, ao pedir que me deixasse na Para maior fiscalização, proibia porta do legislativo municipal, que ainda aquela rainha, a venda de nao se conteve, aproveitando a oca- navios cargueiros no Brasil. sião, para desabafar a mágoa que No largo da Misericórdia, reuni- era possuído a muito tempo, ram-se então os proceres da indús- "Doutor, porque os senhores es- tria e do comércio, para erguer o tão praticando tamanho crime, re- seu protesto público contra tão da- formando o Teatro Municipal?", croniana ordem que eliminava uma Deviam mantê-lo assim, trocando das novas e promissoras indústrias as poltronas, que estão estragadas, têxteis do país, protesto esse feito fazendo apenas ligeiras reformas nessa praça não só pelo fato do que não modificasse o seu aspecto, Paço do Conselho e Senado da Câ- interno ou externo, pois a cidade mara estarem próximos, como, era "não tem prédios velhos que mos- êsse largo, uma espécie de bolsa de tre aos turistas o nosso passado, mercadorias, onde se encontravam nem de que fomos capazes de fa- os homens de negócio para entabo- zer". lar as suas negociações, costume Na opinião deste modesto auxiliar esse muito comum hoje, como se da cidade, "o Teatro Municipal, é a nota no conhecido Largo do Café, única cousa que temos em edifícios que reúne os corretores de café e antigos para mostrar, agora que algodão, e o Largo da Sé, sempre vem o Centenário, tomado pelos obreiros e músicos. "Nós não temos monumentos, não Nesta pequena resenha, verifica- temos estatuas, não temos mu- se o papel saliente que teve na vida seus • • •" da cidade, o pequeno Largo da Mi- Chegando ao meu destino, desci; sericórdia. no caminho, ia pensando nas pala- § É justo, pois, que abandonado a vrf. aquele homem.............. mercê da sorte por tantos anos, ve- tinna razão... -, nha, agora, nas portas das comemo- _________ i rações do IV Centenário da cidade, F„MT„„ „„ „_,_,_„ .„T„T, „ OS nossos vereadora tniiilarpm iIpIp FONTES DE REFERENCIAS: os, nossos vereadores cuidarem dele, Câmara Municipal — Livro de atas das aumentando a sua área, para que, épocas citadas; "mais desafogado", Usando uma Azevedo Marques — Apontamentos; p-vnrí»««5n li i c,1 A,.;,.., An nnccn í' Aimelda — Relatório da Sta. Casa; expressão nistorica do nosso Nut0 sanfAna — Metrópole. vantassem na vila e não permitindo que nenhuma pessoa abrisse alicerce para fazer casas, nem quintais (muros), sem ser por eles oficiais, devidamente autorizados. De modo, que, todo o paulista ao construir casas ou muros, tinha que requerer licença da câmara, e aquele que não o fizesse, isto é, construísse sem licença, (o que hoje nós chamamos clandestina), estavam sujeitos a uma multa de 6$000, infração essa que só em 1651, foi constatada, nas taipas levantadas por Antônio Gomes, na rua São Paulo, tendo incidido na multa em prol das obras do conselho. E não se diga que os edis do passado não tinham preocupações urbanísticas, no planejamento da cidade, si não lembrarmos das medidas policiais tomadas para obrigar a Álvaro Anes a abrir a rua que fechara no caminho que vae ao Ta-manduatei ou das intimações endereçadas aos moradores para que construíssem os seus caminhos, isto é, ruas que passavam nas suas propriedades, ligando os bairros á vila. Procurando atrair mais moradores para o centro da vila, pois grande parte dos paulistas viviam nas suas fazendas e sítios, localizados no ipi-ranga — no guare — na buaçava — no ambirapoera, resolveram os oficiais da câmara "repartir pelos moradores os chãos disponíveis com a obrigação de fazer casas porque assim dava mais nobresa a vila", além de provocar o preenchimento dos vasios, que se notava na perspectiva panorâmica do pequeno burgo paulistano. Quando o Paço do Conselho precisou abandonar a casa da rua do Carmo, lá pelas alturas de 1780, e tentando ocupar o prédio que o Convento de S. Francisco estava construindo no largo do mesmo nome, chamado adro de São Francisco, resolveram os senhores vereadores alugar o sobrado n.° 13 da rua Direita, de propriedade da Santa Casa, pelo aluguel de 9íf>600, onde então se localizou a cadeia. Este prédio fazia fundo com os da rua do Comércio, também de propriedade da Santa Casa, hoje chamada Alvares Penteado, que após as reformas necessárias em 1783, se instalou o Paço do Conselho, bem junto ao largo da Misericórdia.