V. EROSCIUCHI A fantasia desse arquiteto, na composição de suas arquiteturas foi tão desencadeada, espontânea, origi-"IL GRATTACIELO IN CEMENTO ARMATO" nal e renovadora para aqueles tempos, que alguns historiadores de arte não exitaram em tachá-lo de Editora: Vitale e Ghianda — Gênova — Itália — 1954 visionário e de megalomaníaco. _ 123 págs. ilus. __ 33 x 23 cm. Francamente, desta "megalomania nao era so ele, entre seus colegas contemporâneos, a ser arraigado, O Autor, que já conhecemos através de seu tratado uma vez que, na época a que nós referimos, as artes intitulado "La casa in cemento armato" por nós re- em geral já passavam pelo crivo de uma nova estética censeado na precedente nossa publicação n.° 185 deste que ia afirmando-se. em doutrinas evolutivas e abso- ano, completa aqueles seus estudos e análises rela- lutas em oposição potencial ao predominante estilo tivos às construções em concreto-armado, apresentan- barroco do tempo. Estamos no século de grandes do novo trabalho referente, desta vez, a um assunto críticos-estetas quais um Wmckelmann, um Lessmg, de maior importância conclusiva: o do projeto e um Diderot, um Mengs e outros, cujas teorias neo- cálculo de um arranha-céu em cimento e ferro. clássicas sobre o "belo ideal" e o "belo absoluto" de-No referido primeiro livro de V. Erosciuchi, o Au- terminavam vibrantes polêmicas entre todos os ar- tor deu várias indicações e informações que, no to- tistas (pintores, poetas, músicos, escultores) sob o cante ao cálculo das estruturas em concreto-armado influxo do obsessivo e eterno problema do antigo e para as pequenas e médias edificações, vinham a do moderno. coincidir com quanto já a prática usual proporciona- A tendência da crítica e da estética no Século va aos projetistas. Assim sendo, nos limites das cons- XVII era especificamente arcaizante, de modo que as trações modestas, como o mesmo Prof. Erosciuchi peregrinações dos artistas sedentos de pureza e de afirmava, as normas por êle estudadas e coordena- verdade para Roma e Atenas suce,diam-se numa ondas naquele livro eram por si só suficientes. da de renovação do antigo sentimento que guiou a No entretanto, como sabemos, diferentemente acon- grande Renascença, de maneira e em número empol-tece, para com as construções mais complexas, cujos gantes. Em demonstração destes fatos, torna-se ne-cálculos determinam imprescindívelmente o exame cessario recordar as viagens as penínsulas itálica e. analítico de vários importantes fatores, especialmen- elêmca, de homens como os referidos Wmckelmann, te ao se. tratar de edificações altas e isoladas, tendo-se Lessmg, Mengs, e assim, de pintores como Fragonard, 5 em conta os efeitos das contrações dos materiais, das Greuze, Watteau, Boucher; ou poetas como Goethe; variações de temperatura, do' empuxo dos ventos, ou arquitetos como Blondel, Boffrand, Lebon, Lejeay das solicitações dinâmicas e mais outros elementos, e outros. Enquanto Louis XV constituía em Roma a todos eles a serem atenciosamente avaliados pelo sua Academia de Belas Artes, ainda hoje existente, e. projetista e pelo calculista Madame de Pompadour não deixava de dar a esta Surge, assim, a necessidade de outros cálculos e de esc°l* de arte todo ° seu aPôio" outras verificações para integrar a perfeita proporcio- ,.Nada mais evidente, portanto para um arquiteto nahdade das estruturas. Aparecem, então, as fórmulas dinâmico e talentoso do vulto de Etienne Louis Boul- e as equações de Takabeia e de Hardy Cross, cujo ífe> do ^ a necessidade de seguir também ele para método o Autor usa com certeiro raciocínio especula- ^oma' ^olt°u a Pranca com uma baSagem bem pon- tivo e simplificador derosa de desenhos e memoriais que deram-lhe a De fato, o intuito deste segundo livro de C. Eros- possibilidade de desenvolver na terra natal a maioria ciuchi é exatamente o de evidenciar com método de seus projetos arquitetônicos, todos eles de inspi- qual o melhor modo de se calcular uma estrutura racao classico-romana^ tanto nas formas e volumes - de pavimentes múltiplos. Isto é: não quer ser um como em suas expressões de magnitude. tratado teórico, mas sim uma exposição ágil e prá- Al concepções de Boullee através das claras ilus- tica, por meio de exemplos, tabelas e diagramas no- trações anexas ao livro em exame, e repoducentes tadamente de uso comum, que permita ao calculista nitidamente seus projetos, sao das mais interessantes a fácil escolha do método mais apto à resolução de em relacao ao desenvolvimento das superfícies, dos certos determinados problemas-inerentes aos arranha- volumes, do espaço e, de uma determinada e pode- céus rosa unidade arquitetônica, talvez demasiado ceno- Um dos exemplos mais interessantes expostos pelo §ráfica ou teatr^ (que *he valeu> com\ áisse™s> a livro em exame, é o de um cálculo para um edifício de discutível classificação de megalomano), mas nem doze pavimentos. Cálculo que pode-se aproveitar co- P0^ 1SS0 lsenta dJ! originalidade. mo padrão-tipo, pois facilita e possibilita a determi- °. T°lurne de Helen Rofnau apresenta de fato, os nação de uma ordem de operações e equações a serem projetos de um maciço palais national e de uma executadas dentro de limites práticos e dentro de Srande artena tratados com coerente espirito racio- termos razoáveis de desenvolvimento e conclusão, per- nal e construtivo, em quanto alguns estudos de edifi- mitindo ao leitor de bem analizar os métodos e de cios funerários ligam-se com acentuada evidencia bem avaliar as conseqüentes deduções a-fim-de apli- aos túmulos conicoscesareos ou piramidais faraônicos, cá-las ao cálculo para construções'também de maior Contudo, outro projeto funerário, o do cenotafio de- altura e maior número de pisos dicado espiritualmente a Newton (constituído pelo O texto do novo livro que acabamos de apresentar, yão interno de uma grande esfera cujo forro, cons- é claro e preciso: transforma os problemas tratados telado por motlvof nimmosos, quer representar o em assuntos e arguicÕes de alto interesse para os mundo cosmico-matematico do grande, físico), repre- Profissionais e para os Construtores, assim como para *enta , um Problema arquitetomco-construtivo que os Estudantes de Arquitetura e Engenharia em ge- Boullee, como assevera em seu memorial, tratou com ral, sendo um trabalho compilado de maneira acces- ° ™ais a"o lirismo que possa exaltar um arquiteto sível a qualquer estudioso ou cultor do concreto- t P<* quan;to aclma ^ferimos, podemos dizer que este aramodo - J V V tratado sobre a vida e as obras de Boullee, e um livro de ordem histórico-cultural no campo da Arquitetura. Reflete-se nele uma arte, um pensamento, HELEN ROSENAU uma época. O indicamos principalmente aos estudio- "BOULLÉE'S TREATISE ON ARCHITECTURE" sos e críticos em geral, aos cultores da Arquitetura „¦,-, ., „. .-• -r., T -, , em particular, pois o livro é como um alimento das Editora: AlecTiranü Ltd - Londres - 1953 peculiares diretivas que a História da Arquitetura íáí pag. ilus. 23x15 cm. nos pode sempre e continuamente oferecer. Nele r^ «-cjj. • i n ""\ j, a - i „ -, Tt ¦ • , '- - identificamos a vida de um arquiteto que lutou para O Editorial Board of Arts da Universidade de a Arquitetura, apesar de certas errôneas qualificações, Manchester, o Cabinet des Estampes da Biblioteca e nJa foi se não uma mente e uma alma\ibrant^ de Nacional de Paris, o British Museum" so para citar entusiasmo para a sua arte preferida. Devemos-lhe os principais nomes, foram as entidades que mais respeito contribuíram - como assinala Helen Rose.nau, que Foi or êste re ito 0 mfismo Autor dêste compôs o livro acima indicado - e mais facilitaram "Boullée's Treatise on Architecture" quiz assinalar o *aJLq a TS V°s c;°llêlv num so volume bio- Arquiteto com os seus projetos em toda sua nitidez, grafico as obras de arquitetura e as relativas escritas % com os seus mem0riais na íntegra e; original língua íi r ifí' i?'m n7qo«af^°Q^rqUlt+et0 franC6S e ortografia da época. E o prefácio, na língua inglesa, Etienne Louis Boullee (1728-1799) participou aos _õe 0 ieitor pm Msta nosirão intelectual de comen- grandes movimentos artísticos do Século XVIII. g^ \V^uZJ,TjJSl ?V VICArÍ