Não se considerando as condições reais e as verdadeiras necessidades da coletividade, o programa tor-nar-se-á arbitrário e sem a devida firmeza, e não assegurará ple.no e integral êxito do empreendimento. O fato perturbará os estudos do projeto e o andamento da construção e, o que é mais grave, o funcionamento da obra terminada, em caráter permanente, — o que vai repercutir num setor importante da atividade humana, qual seja o da assistência médico--hospitalar. O estudo do programa será precedido de um trabalho minucioso de pesquisa e obtenção de dados. Os objetivos visados, a capacidade e as características das se.cções médicas, de direção, de alojamento, dos serviços gerais e das instalações, serão definidos com absoluta precisão e clareza. Ao mesmo tempo, serão preparadas relações completas do material, do equipamento e do pessoal, setor por setor. O tempo e o esforço empregados na organização do programa serão amplamente recuperados depois, nos estudos e na construção, realizando-se, então, apreciável economia de trabalho. É indispensável fazer-se a escolha antecipada e, completa do equipamento, dada a sua influência no estudo das instalações de água, vapor, gás, eletricidade e outras, cujas canalizações vão sendo colocadas desde o início da construção. Num prédio de apartamentos ou numa escola, o equipamento obedece, em geral, a critérios e padrões consagrados. No hospital, o problema torna-se mais difícil; o equipamento é mais numeroso e variado e mais sujeito a modificações ditadas pela experiência. Ademais, os métodos de tratamento médico e hábitos de vida diferem de uma região a outra, o que dificulta ainda mais a padronização do material. O Projeto Cada hospital tem suas próprias particularidades, que influem no projeto, originando soluções diversas. A arquitetura contemporânea, no entanto, determina, para a solução de cada caso, uma orientação de ordem geral. Não admitimos mais formas pré-estabelecidas. É arbitrário o critério de se partir da forma horizontal ou vertical, em pavilhões ou em monobloco, em "X" ou em "H". Um projeto de arquitetura, sobretudo o de um hospital, define e fixa um programa de trabalho em cuja execução entram fatores de suma importância, como sejam o próprio trabalho humano e os recursos materiais. A sua elaboração deverá ser, antes de mais nada, impecável nos menores detalhes, abandonando-se critérios empíricos que, não se enquadram mais em nossa época. As várias secções de um hospital constituem unidades diferentes uma da outra e mais ou menos autônomas. No estudo de um projeto de, hospital, devem-se distribuir essas secções em grupos, nos quais serão reunidos os serviços que apresentem afinidades funcionais e semelhantes exigências de estrutura e de instalações. Esses grupos constituirão, no projeto, blocos arquitetônicos independentes, cada qual com seu padrão de construção e com fisionomia própria. Evita-se, assim, a conjugação forçada de elementos heterogêneos; tem-se mais liberdade no estudo das plantas; eliminam-se os entraves que trariam estruturas e instalações concebidas para outros serviços; reduz-se a área construída. Nesse estudo, serão considerados, também, os problemas de circulação de cada grupo e do conjunto. Em linhas gerais, sem considerar as particularidades de cada caso e sem querer pre-fixar soluções, podemos mencionar algumas possibilidades de agrupamento, que ocorrem mais freqüentemente: a) — Grupo de, enfermarias e dos quartos de hos-pitalização e os respectivos serviços de enfermagem, segundo as várias especialidades médicas. b) — Grupo do ambulatório e dos serviços adjuntos de diagnóstico e tratamento, compreendendo radiografia, laboratórios, desenho e fotografia, radiote-rapia, etc. "Hospital do Câncer", do arq. Rino Levi c) — Grupo dos serviços gerais, cozinha, lavanderia, almoxarifado e oficinas de reparações. d) — Grupo didático, com auditório, salas de aula, museu e, biblioteca. e) — Grupo residencial para médicos, enfermeiros e estudantes estagiários. O critério de se agruparem secções em alas ou em edifícios próprios, permite maior clareza na concepção do projeto e simplifica a construção. Nas grandes cidades torna-se difícil a sua aplicação, dadas as dificuldades trazidas por terrenos de alto preço, de dimensões reduzidas e formas irregulares, o que obriga à superposição dos elementos do hospital, determinando soluções imperfeitas. A elaboração do projeto inicia-se ocm a preparação de gráficos, nos quais são ordenados os serviços e assinaladas as ligações e comunicações entre os mesmos. Esses gráficos vão, desde o início, esboçando o perfil da obra. No projeto serão considerados vários fatores de certa importância para a boa eficiência do hospital, como veremos a seguir. ¦— Os serviços que têm maior necessidade de, ligação direta e imediata com o exterior, serão localizados nos andares inferiores e tanto quanto possível próximos à rua. É o que, acontece com o ambulatório, cujo numeroso público, não deverá atravessar outras dependências do hospital; com o pronto-socorro, cujo acesso se faz com a ambulância; com o auditório, freqüentado em parte por público estranho ao hospital; com o almoxarifado central, que é abastecido por caminhões; com os serviços gerais, cujo numeroso pessoal não tem relação com outros setores; e, finalmente, com a administração. — Os serviços de diagnóstico e tratamento atendem tanto a doentes internos como a doentes externos. A sua localização será perto do ambulatório, com fácil acesso às enfermarias. — O centro cirúrgico será projetado, de preferência, próximo ao andar térreo, de modo a facilitar o acesso dos doentes, pelos elevadores, e evitar que o tráfego vertical fique sobrecarregado com o transporte do pessoal cirúrgico. De qualquer modo, evitar--se-ão no centro cirúrgico ruidos externos ou internos, e qualquer interferência com outras secções. — O centro residencial será afastado do hospital, para maior repouso e distração, durante as suas horas de folga, de médicos e enfermeiros residentes. Terá, de preferência, ligação direta com a rua, com o jardim e o restaurante. — O grupo de hospitalização constitue, em geral, o bloco central e dominante. As enfermarias deverão ter as melhores condições de insolação e de proteção contra ruidos. A Circulação Vejamos agora o problema da circulação, mais complicada no hospital do que em qualquer outro edifício,