realizadas, citamos a mulher reclinada do Casino de de tamanho igual ao original (na medida do possível), Pampulha e a estátua de Chopin no Rio. Veiu para com moldura da época, baseado no catálogo de repro- S. Paulo há um ano, tendo dirigido um curso de es- duçÕes organizado pela UNESCO. Tal Museu^ alem cultura no Museu de Arte. de ter uma "pinacoteca" impossível de ter na "reali- A mostra não é grande; apenas algumas peças, dade", teria ampla repercussão didática, sendo fácil dentre as quais diversas maquetes de monumentos. seu transporte para o interior e bairros, dando uma Três pecas nos impressionaram especialmente; a ma- visão completa da história das artes plásticas. Pouco quete pára a estátua a Chopin, peca belíssima, dum a pouco se poderiam também obter copias fac-símiles movimento e elegância extrema; o bonito "João Ba- de esculturas, a exemplo das obras de Aleijadinho tista" tão bem equilibrado e dinâmico; e a colossal cujas cópias já existem, a exemplo ainda do "Musee Rhea, em mármore, de Estremos, bela estátua em que de,s Monuments Historiques Français" todo ele ba- o material, o desenho a posição e até o modelo, for- seado em cópias de esculturas, relevos e "a frescos", mam um todo extremamente harmônico. Num tal Museu Didático se concentrariam os cursos, THOMAS ENDER as mostras didáticas e constituiria um centro de irradiação da divulgação da história do homem e, de Este aquarehsta vienense, mandado por Mettermch suaJ cultura, através do prisma das artes plásticas, ao Brasil em 1818 para retratar e ilustrar uma expe- Desejamos que a mostra didática exposta no M.A.M. diçao cientifica ao Brasil, — faz parte daquele grupo alcance suas finalidades e sirva de exemplo a nu- de artistas europeus cujo valor de crônica dos costu- merosos empreendimentos do gênero. - J. W. mes é de valor incomensurável para nossa história. É de, especial interesse para arquitetos e estudantes, pois o levantamento feito de casarões de fazenda, EXPOSIÇÃO HISTÓRICA EM IBIRAPUERA ¦ igrejas, largos etc. são valiosos Ender não tem um N& úlüma h Q antes dêste boletim ir ao desenho enérgico, expressiomsta; seu traço e leve, , tivemos ocasião de visitar a Exposição de His- ¦ exato, elegante. Os estudos inacabados, as manchas de £ria nQ palácio de Exposicões do Parque 'íbirapuera. ¦ aquarela dando vida a uma paisagem - dao sabor Q entusiasmo foi de tal ordem que decidimos inserir ¦ especial a sua obra. A coleção exposta da qual re- ainda pequena nota a respeito, produzimos dois trabalhos, alem de significar valiosa „ , , . contribuição ao estudo e levantamento de nossos cos- Inicialmente nao podemos nem devemos deixar ¦ tumes e paisagens (notadamente do Rio de Janeiro), de congratular o nosso colega, arquiteto Oscar Nie- ¦ nos apresenta um aquarelista minucioso e de bom meyer e seus colaboradores pelos edifícios que Ia se gosto encontram. Sua imaginação poética, sua audácia imaginativa resultaram em prédios impressionantes e I MOSTRA DIDÁTICA DE HISTÓRIA DA ARTE muit° adequados, em ambiente, a seus fins. Foram colaboradores nos projetos, os colegas: Hélio Uchca A história das artes plásticas é uma faceta, uma Cavalcanti, Eduardo Kneese de Mello e Zenon Lotufo. forma de se encarar a história do homem; não deve ser A mostra histórica organizada por Jayme Cortesão, I considerada como algo de autônomo e isolado do res- está montada como raramente vimos, mesmo em re-tante da história, apesar de ser este um vício comum vistas especializadas, — no que, se refere ao bom em nossa formação. A vida do homem, sua cultura, gosto, carinho, riqueza de detalhe e interesse. Os sua atividade em geral, formam um todo, — mesmo textos escritos nos muros de fundo as vitrines que que estudemos em determinado momento, mais espe- encerram preciosos documentos, os mapas riscados cificamente certo setor da atividade humana. Desde em paredes segundo a técnica do "grafito", a ilumi-que estes conceitos sejam claros, o ensino da história nação, a variedade nas divisões, os grandes painéis da arte adquire para a formação humanística da ju- de Clovis Graciano, Di Cavalcanti e outros, — tudo ventude, uma importância muito grande. É porisso nos entusiasmou. Primeiramente porque não o espe-que, sempre que possível, temes insistido na necessi- rávamos; estamos por demais acostumados a exposi-dade e utilidade das mostras didáticas de história çÕes improvisadas, descuidadas, incompletas, estenda arte. E a receptividade, do público demonstra o tando arrogantemente sua provisoriedade,. Não temos acerto destes empreendimentos; é inegável que o lembrança de termos visto nem exposições, nem mes-grosso do público do Museu de Arte, por exemplo, mo museus e galerias, tão bem instalados. O respon-foi formado graças à existência, quando de sua fun- sável por esse deleite da vista e do intelecto, foi o dação, — das exposições didáticas. decorador português Manuel Almeida de Vascon- B Levar estas mostras às escolas é tarefa de real celos. ¦ mérito. Lembramos que em certa ocasião a própria Não sabemos o que acontecerá com esta mostra. Umao Estadual dos Estudantes organizou uma mostra Serão destruídos os painéis? Desmontadas as paredes, circulante com este tema. Saudámos, porisso, enfàti- tudo quebrado? Exposicões com este tema são de camente a iniciativa de d.a Inga Pfeiffer, pela reah- grande, interesse e importância pois educam e man-zaçao desta exposição didática destinada a uma es- têm vivo no espírito do povo nossa tradição, nosso ¦ cola. A sua realização demonstra inclusive a possi- passado de'luta, nossa formação. Seria muito oportu-bihdade ' econômica" de realizar verdadeiros museus no, e deixamos aqui nossa sugestão, — que a mostra didáticos: a mostra consta de inúmeras reproduções, histórica de Ibirapuera se tornasse permanente. Os coloridas e em branco e preto, todas tiradas de revis- documentos de, arquivos estrangeiros e particulares tas e livros; um breve texto acompanha as ilustra- certas raridades bibliográficas, poderiam vir para cá çoes, colocando historicamente a época e, apontando ocasionalmente como empréstimo, ou serem substi-certas características de estilo. As pranchas sao pe- tuídas por outras; alguns documentos, como o Tratado quenas, de fácil leitura e transporte. de Tordesilhas, a carta de Pero Vaz Caminha etc, Esta mostra didática vem corroborar uma tese, que poderiam ser fotografados. Mas, mesmo sem esses ori- vimos defendendo em debates, conversas e publica- ginais preciosos, o essencial permaneceria; seria fácil ções: a utilidade e conveniência da criação dum Museu transformar esta mostra em verdadeiro museu didá- Pedagógico (ou Didático), composto de reproduções tico de história do Brasil. - J. W.