ENSINO NA INGLATERRA nuam por todo o curso. Tivemos aulas sobre materiais de construção, mecânica, organização do canteiro de obra; fizemos alguns projetos de interiores. No terceiro ano projetamos um hospital para estudantes; já tínhamos que detalhar a estrutura, caixilhos, instalações etc. além do levantamento regional; esse ano é muito importante pois, tendo terminado a metade do curso, é exigida uma pré-tese e se devem completar todos os exames. Nesta ocasião vêm para julgar, arquitetos do R. I. B. A. Os exames, que abrangem toda a matéria vista no curso até então, estão distribuídos durante o ano todo, de forma a não acumular o estudo de recordação. Os horários são naturalmente mais rígidos nas escolas ligadas ao Ministério da Educação. — "De maneira que o curso é claramente dividido em duas partes?" — "Sim. Evidentemente há continuidade; mas do ponto de vista de aprovação, diploma, exames enfim, — o primeiro passo é o terceiro ano. No quarto ano fizemos projetos de paisagismo, um parque público, desenhamos um complicado palácio de justiça, com inúmeros detalhes e esquemas de circulação; projetamos também alguns edifícios ligados ao palácio e, mais tarde edifícios industriais. As aulas teóricas versaram sobre instalações, urbanismo, prática profissional, organização dum escritório de. arquitetura, especificações e cálculo de concreto; nesta disciplina aprendemos muita coisa, desde simples lajes e vigas até protendido, conchas etc. O quinto ano é mais folgado em "lectures"; é o ano em que se prepara o tra-balho-tese. Da mesma forma que a pré-tese, o tema é de escolha do aluno; deve no entanto propô-lo à junta que pode recusá-lo. Apresentam-se projetos de urbanismo com projeto detalhado dos principais edifícios, ou um conjunto hospitalar universitário etc." — "O trabalho é individual ou de equipe?" — "Há certos trabalhos individuais, mas os projetos grandes são de equipe; a escola encoraja o trabalho de equipe. Em geral o trabalho prático ("studio work") é orientado por um professor e. três a cinco assistentes; as classes têm uma média de sessenta alunos (isto na escola que freqüentei; há escolas em que os alunos são bem mais numerosos)." — "Como são atribuídas as notas? Há exames das aulas teóricas?" — "Certamente. Há nove exames de mecânica durante o curso (isto inclue, resistência dos materiais, cálculo etc); quanto à história da arquitetura o aluno deve apresentar dois pequenos ensaios, nos terceiro e quarto anos. Para o trabalho prático são atribuídas notas; geralmente são grupos de professores que as atribuem; nos trabalhos-tese são comissões especiais do R. I. B. A." — "E quanto ao aspecto econômico do curso?" — "Nossa escola cobra atualmente, anuidade de 140 libras esterlinas; a Regent Polytechnic cobra apenas 60 por ano; nas escolas subvencionadas há bolsas de estudo. Quanto à parte econômica de quem sai das escolas, devo admitir que recebemos muita ajuda do Está há algumas semanas em S. Paulo um jovem arquiteto britânico, Gordon Collins, que pretende radicar-se em nossa cidade; vem com uma bela bagagem de trabalhos escolares que denotam o cuidado e profundidade do ensino da arquitetura na Inglaterra; os trabalhos são apresentados com detalhes construtivos que impedem qualquer arbitrariedade escolástica. Procuramos nosso colega Collins para conhecer algo do sistema de ensino- por lá. — "Em Londres há diversas escolas de arquitetura, todas com programa e orientação próprias, sendo válidos seus diplomas; há a Architectural Association School of Architecture (que freqüentei), a Regent Street Polytechnic, a Bartlett School of Architecture (da Universidade de Londres), a Northern Polytechnic, a Royal School of Architecture s a School of Building." — "São subvencionadas? Têm o mesmo número de anos de curso? Têm algum patrocínio?" — "A primeira não é subvencionada e seu curso é mesmo um pouco caro; é patrocinada pelo R. I. B. A. (Royal Institute of British Architects), a segunda tem cursos noturnos, sendo que estes duram seis ou sete anos. A Bartlett School é a mais tradicional. Os cursos diurnos de todas estas escolas duram cinco anos; o currículo é aproximadamente o das escolas do Brasil, mas o agrupamento e orientação diferem." — "Há aulas teóricas e práticas? Como estudam os alunos?" — "Nada é obrigatório (falo da escola que fre,-qüentei); há aulas que poderiam ser chamadas teóricas ("lectures"); a presença é facultativa mas, quando os trabalhos práticos dum aluno denotam pouco conhecimento das matérias, é êle avisado que deveria freqüentar com maior assiduidade as aulas teóricas. Quanto ao trabalho prático, que chamamos "studio work", nos toma quase todo o dia; é muito difícil, mas não impossível, dedicar-se a outro trabalho que não o escolar." — "Poderia nós dar uma idéia dos programas que são dados ao trabalho prático?" — "Bem, talvez seja mais fácil, se me lembrar o que tive de fazer durante meu curso. Vejamos: no primeiro ano começamos com uma introdução sobre problemas de côr, forma, textura, trabalhos práticos de composições livres; ao mesmo tempo tínhamos aulas sobre história da arquitetura e perspectiva. Tivemos durante este ano três trabalhos: uma cabana primitiva, uma série de desenhos de objetos e móveis (apenas cópias) e um projeto de interiores, com pequena maquete. Recebíamos esboços de 24 horas com diversos temas: ilustrações de livros, casas de fim de semana, barracões para feiras etc. Tivemos igualmente, um trabalho interessante de oficina: construir inteiramente um móvel. No segundo ano projetamos uma pequena aldeia. Tratava-se quase duma introdução a urbanismo, mas a maior ênfase era dada ao projeto dos edifícios principais. As aulas sobre história da arquitetura conti-