Isso tudo para se construir novos edifícios, ou melhor, na justa ética espontânea, irrefreável às vezes explosiva, novos prédios, sem a garantia e a responsabilidade absolu- de seus atos. Além do "tudo", eles devem atingir o "com- tas de substituir os antigos com outros edifícios ou prédios pleto", no tempo e no espaço. de bela e pura arquitetura. „ , ,, , , O marco zero da cultura vem de longe no passado, antes Repete-se o que se deu em Roma por volta dos Séculos de um Le Corbusier, de um Leonardo, de um Vitruvio, de XVII e XVIII, quando demoliram-se os templos de Roma um Calicrates ou de um Fidias. antiga a fim de se obter comodamente cal e outros mate- ^ . , ,.,,., , riais de construção para se levantar as igrejas e os palácios Desde log° salta a.Vlsta que as nossas escolas de arqui" barrocos da Roma dos pontífices. Lastimável circunstância, *etura' desde qUe .nao sejam tuteladas emT sua especifica essa, na história da arte. Mas um consolo sobrou: naquela funça0 cn}}UTa1' sao um Pont° vulnerável em qualquer época eram arquitetos como Bernini e Borromini, cuja voz, °^sia° cnüca;. Deve™ Sf humanizada5 a fim de que se através da Áustria e da Polônia alcançava a Rússia, e atra- °U^ã Um cl™ax adapt° a SUa reJaça0+ CT ° Home™ e vés da Espanha e de Portugal chegava até nosso Conti- a Natu+rfa- Muito +be™ as reformas tanto em sentido nente, dizendo-nos que espaço, tempo e matéria são algo horizontal como vertical, mas mais do que tudo, salva- de. coexistente, duradouro e expressivo, assim como, para f[u,ar*ar S+Ua mlSSa° cu^tura1' alem da Proflsslonal> no am" êles e com eles, nos confirmaram as obras dos nossos "mes- blt° d° etern° SeU carater umversaL três de risco" Aleijadinho e Valentim, ou, no horizonte con- A arquitetura não é só técnica minuciosa de pesquisador tinental, do boliviano Condorí. resolvida através da ponta de um lápis fino. É, outrossim, evasão do pensamento, do sentimento e da arte expressa às * * * vezes com um desenho simples e espontâneo a carvão. Não é o teclado e nem as notas, mas a música. Não somente o Mais do que forças, devemos ter "idéias-fôrça", inspirado- material, mas as suas qualidades intrínsecas. Não é cons- ras de verdades e de soluções que liguem os homens pelos trução sem concepção. Além de forma e estrutura deve ser laços da consciência equilibrada ,das intenções sadias e dos harmonia de conjunto, proporção de detalhes, fineza de luz propósitos humanos de viver para si e para outrem, num e cores, esmero de arte, que deve resistir ao tempo, à crítica mundo de gente forte de corpo e de espírito. São, esses, dos homens, em fim, nobre, duradoura, eterna expressão simples preceitos sem pretenções filosóficas de positivismo da superior civilização de um povo. ou de racionalismo, não deixando todavia de serem, realis- Por que> pois, nos canônes da arte, não idealizar uma rea-ticamente falando, o denominador comum para tantas e lidad6) que a filosofia nos permite conceber como hipótese tantas interpretações de tantos e, tantos nossos problemas. provável, e que a ciência no seu curso normal e progressivo Uma dessas interpretações poderá ser a justa. É o de que inexoravelmente acabará de estabelecer? Qual, então, o lu-necessitamos em todos os campos de nossa vida em geral, gar onde encontrar esse climax, a não ser num centro de e, em nosso caso, particularmente para nossa arquitetura, estudos? Eis que a revisão deve iniciar-se pelas nossas Fa-e consequentemente para nosso urbanismo. culdades, pelo menos para salvaguardar a continuidade de Devemos procurar a causa desta existente e hoje assina- admissão de jovens e bons arquitetos no campo profissional lada carência nesses dois campos de nossa vida nacional. de nossas atividades. Sob o ponto de vista filosófico e histórico ela deve ser individualizada no materialismo e no mecanicismo que empol- * * * gou a vida brasileira tomando de assalto os mais irredutíveis recônditos de nossas atividades. Atingidos foram tam- A formação do arquiteto no Brasil é problema de alta e bém os das nossas Universidades. Não se ponderou sufi- delicada importância. Não repetiremos o que o autor destas cientemente que uma escola superior, por exemplo uma linhas já defendeu em tese no III Congresso Brasileiro de escola de arquitetura, não é simplesmente um instituto en- Arquitetura de 1953 em Belo Horizonte: não simplesmente ciclopédico onde concluir anualmente um programa de en- a capacidade, mas também a qualidade deve-se pretender do sino formal, mas é essencialmente um ambiente onde deve aluno-arquiteto. E esta qualidade do aluno não está única-desenrolar-se a vida de uma coletividade jovem, a dos alu- mente em seu talento (suscetível de se transformar em nos-arquitetos, com específicas características próprias, tan- virtuosismo), ou em sua inteligência (que pode tornar-se to de técnica como primacialmente de arte, características um hábito si não for incentivada), mas particularmente em que devem desenvolver-se entre arquiteturas de todas as sua bagagem cultural e, pessoalmente, em seus recursos épocas, no culto do passado, na ponderação do presente, e espirituais que inspirem, eduquem e vitalizem o seu caráter nas esperanças do futuro. Poderão, assim, os alunos, for- e sua mentalidade como indivíduo e como arquiteto. mar-se num ângulo de maior visão, tanto humanisticamente AT_ . , . -, , „ „ . , . , / • j. Nao estamos, aqui, tratando de questões de moral. Que- no pensamento, como racionalmente nas idéias e na fan- remog adequaà'amqenve írizar que existem certas determina- tasia- das verüaaes para cuja interpretação mister é estar prepa- Fantasia. Porque não? TÔda a gente vive nos domínios rados baseando-nos sobre as_ nossas próprias possibilidades. Jf4.- - UJ -J1-4. _ j- Maiores são estas, maiores sao as nossas realidades no lutu- da fantasia, e e sonhadora ou idealista em graus diversos, ~± ,,. ^*"-a> „„„„„+„„ '., , ,„ . .,-,?.. ! .• ro. Cultivemo-las, então, em todos os seus aspectos, o que constitue uma tendência natural de efeito emulativo muito importante no campo pedagógico e didático. Sonhar, Que fazem os que idealizam, que agitam idéias, que su- imaginar, criar utopias representa uma virtude de expres- gerem modificações, que, se aventuram em traçar proposi- são positiva, no sentido de visar as coisas como deveriam ções renovadoras e regeneradoras, sinão antecipar uma de- ser. Julga-se que a "República" de Platão, foi a primeira sejada realidade futura? utopia da história, pois admitiu que o Estado, no porvir, seria governado pelos mais capazes e dignos, a fim de ga- & se der um balanço nas verdades reais, prematuras ou rantir a Justiça social. De tal modo Platão se projetou no ideals> ^ue Provocaram discussões e reações, criticas e po- tempo, que ainda se o pode colocar na vanguarda moder- le™cas; sl se der um ba}™?° nas soluSoe,s ff W,™^ . *¦ ' * * gativas que foram combatidas e rejeitadas violentamente m nas lutas de vanguarda ou nos projetos avançados, taxados Voltando aos alunos de uma escola de arquitetura, dentro de utópicos ou de inoperantes, chegaremos à evidência de deste espírito, poderão eles compreender e escolhar melhor que foi através dessas "verdades", dessas "soluções" e dês- quais as verdades puras e quais as fictícias, livres de se ses "projetos avançados", que alcançamos as mais belas con- manifestarem, inspirados pelo gênio estético da humanidade, cretizações da época atual. 184