estudos para "S. Paulo"; achamos extremamente bem compostos. Dos desenhos em geral destacamos de forma especial as "Crianças" de Darcy Penteado, nanquim sobre tecido, especialmente a de n.° 1, realmente um dos mais belos trabalhos no gênero apresentados na Bienal. De igual forma gostamos do belo conjunto de trabalhos de Carybé, em que a pureza e força de expressão de seu sintético traço, descreve de forma poética a vida do Nordeste. A nosso ver, estes trabalhos de Penteado e Carybé são os pontos altos de toda a sala geral brasileira. França e Itália Belo e representativo conjunto de obras de Léger, trouxe-nos a representação francesa. E' curioso notar em sua obra, três formas de expressão: uma em que as formas "vegetais" predominam e moldam a paisagem, mesmo quando nela intervém a figura humana; outra em que a côr tem a primazia absoluta: é o caso da exuberante "Grande Parada" que já de longe nos chama atenção pela circunferência vermelha, faixa horizontal azul e faixa vertical verde; estas cores nada têm a ver com o desenho, simplesmente o cobrem e mesmo escondem; preferimos a terceira forma de expressão, aquela que se encontra especialmente em "Acampamento" e em "Construtores", nos quais a côr volta a ser limitada pelo desenho, havendo maior integração de elementos. Guttuso "3 mulheres" Pareceu-nos não muito representativa a sala de homenagem a Derain; gostamos do pequeno auto-retrato e do retarto de "M. Gilbert", indicando a pesquisa que o levou ao "fauvismo". Dos demais gostamos muito de Borès, de tons quentes, nota-damente de sua "Camponesa" e da "Composição com limões"; extranhamos a disparidade dos quadros de Ozenfant, com uma "Aterrisagem noturna" agradável ao lado duma "Janela iluminada" francamente de mau gosto. Detestável a pasta grossa e suja das telas de Hosiasson, não justificada por nenhum efeito, composição ou côr que seja. Bonitas as litografias verdes de Zao Wou Ki. A sala italiana é talvez a mais rica e que melhor se presta à polêmica entre figurativistas e abstraeionistas; nela encontramos um pintor que conscientemente trabalha segundo os critérios do realismo socialista (Guttuso) e, assim como diver- Mmguzzi "Mulher pulando corda" sas tendências de não-figurativismo. O conjunto de obras de Campigli não nos despertou entusiasmo; uma temática e tratamento de matéria algo repetidas. Não achamos justa, de forma alguma, a premiação de Magnelli; talvez quando por vez primeira realizava suas telas com estranhas formas dentadas e cores arroxeadas ou terrosas, sua iniciativa servisse de ponto de partida a alguma libertação formal; não entendemos, no entanto, a repetição das mesmas experiências em 1953. Até mesmo no campo experimental das pesquisas de forma e textura, Prampolini é mais interessante. Achamos decorativas (para tecidos estampados, especialmente) as telas de Capogrossi e pouco dignas as obras de Burri: estamos muito longe do tempo em que colar pedaços de sacaria e pintar algo em cima, significava algo, pelo menos rebelião, inconfor-mismo e pesquisa; está superada esta fase "heróica"; já se voltou e tende-se a voltar à sobriedade, à dignidade no tratamento da matéria, assimiladas as "libertações" de meio século. As telas de Guttuso servem de resposta àqueles que confundiam "realismo" com obrigatoriedade de apenas se retratar o proletariado em luta: quatro paisagens e três mulheres. Estas são o ponto alto, a nosso ver, evidenciando não apenas a habilidade técnica de Guttuso, como o aprendizado de meio século ao qual nos referimos acima; gostamos também da paisagem com telhados; as marinhas são de grande efeito mas ainda pouco expressivas. Da escultura salientamos a "Mulher saltando corda" e "Homem com galo" de Minguzzi; as esculturas totêmicas de Mirko são apenas interessantes; quanto às obras de Consagra, devem ser colocadas contra uma parede, pois não têm "costas", o que lhe dá um aspecto desagradável se as considerarmos como esculturas. Belíssimos os desenhos de Zigaina, especialmente o "Ceifeiro" e o "Trabalhador de Friuli"; traço seguro e expressivo, bom uso da côr. O tom caricatural amargo dos desenhos de Maccari lembra um pouco o estilo de Grosz.