UMA ENTREVISTA Já tivemos ocasião uma vez de entrevistar para o nosso boletim um jovem arquiteto inglês e julgando útil esse contacto resolvemos reproduzir aqui um resumo de uma rápida conversa tida com uma jovem arquiteta italiana GIACINTA PALMIERI há quatro meses chegada e. residente em São Paulo. De início soubemos ter-se formado em 1951 em arquitetura pelo Politécnico de Milão, talvez a íaculdade mais adiantada da Itália com programa de ensino por assim dizer de vanguarda por estar sempre em constante renovação. Outras escolas de relevo seriam as de Turim, Roma, Florença e particularmente a de Veneza que tem a parte artística tremendamente desenvolvida, gerando por vezes mais pintores e escultores do que arquitetos propriamente. Os estudantes Já dificilmente trabalham em escritórios uma vez que têm muito o que fazer na faculdade, e mesmo porque esta já lhe dá até certo ponto, ensinamentos práticos e atuais suficientes para quando formados . ingressarem na vida profissional. O ambiente proporciona facilidade de contacto com obras do passado que a escola não descuida, tanto é, que desde o 1.° ano o aluno sai á rua com o professor fazendo levantamentos minuciosos desde monumentos antigos e até mesmo detalhes contemporâneos. As cadeiras são as nossas, em linha geral, somente que melhor entrosadas e mais aprofundadas sendo que a arquitetura de interiores é muito cuidada e não considerada como "decoração" ou cousa aposta mas sim, integrada perfeitamente no todo da arquitetura. O jovem recém formado a fim de obter colocação junto a um arquiteto de valor, que é a maneira local de, iniciar, procura participar de concursos públicos (até participa de 4 ou 5 por ano) tentanto títulos. GIACINTA PALMIERI que nos mostrou ótimos desenhos seus, por exemplo, trabalhava com o arquiteto Gandolfi e Vigano. O engenheiro civil já tem sua posição bem definida de modo que sua interferência profissional no campo da arquitetura tende a desaparecer por completo. O arquiteto projeta e constróe. Le Corbusier ou Wright são considerados temas superados entre os jovens, sendo a arquitetura americana muito observada e Niemeyer comentado. Ao visitar Marselha desiludiu-se, com a "Unidade de Habitação" que achou acanhada com corredores escuros e anti-funcional. Desiludiu-se também no Brasil mas por outro motivo: é que é difícil encontrar a arquitetura de Niemeyer (que eles mais conhecem) e outros bons arquitetos por ser insignificante em relação ao volume gigantesco de obras ruins, tendo as nossas cidades um aspecto bem diferente do que lhe era dado imaginar através de revistas e publicações. E mais que lastimável é revoltante o que se fez e está se fazendo com o Rio de Janeiro. São Paulo é uma cidade caótica. Mas porque existem "aquelas" residências "assim tão deslocadas" nos bairros elegantes? Mas e o urbanismo? Essas e outras perguntas que nos foram dirigidas por alguém que também julga que não deveriam existir, bem como as tristes construções acima, uma vez que este é um país novo com vitalidade e em progresso acentuado onde nos achamos que organização e planejamento seriam o mínimo e o indispensável. O CONGRESSO DA D. I. A. Os temas do Congresso e que se realizavam em Haia (Holanda) de 11 a 16 de Julho, foram os seguintes: tema principal: Habitação (programa, projetos e produção); temas gerais: formação do arquiteto, posição social do arquiteto. Os sub-ítens do tema principal abrangem diversos assuntos, a saber: a) programa — abrigo, alojamento, moradia, evolução natural da habitação, crítica e sistemática do programa duma habitação, regulamentação e financiamento, programa de produção, comparações de regulamentações com as necessidades materiais e espirituais, dimensões mínimas da habitação. b) projetos: planos e projetos individuais, habitação uni-familiar, projetos-tipo, normalização e estan-dardização, elementos de composição, coordenação modular, equipamento da casa. c) produção: métodos tradicionais, construção em série, produção industrializada, sistemas semi-indus-triais, análise econômica dos sistemas, colocação dos pedidos, elementos-tipo. Durante a realização do Congresso, houve quatro exposições: a mostra internacional da UIA, a exposição de arquitetura dos Países Baixos, o concurso de emulação entre estudantes e a exposição de duas escolas holandesas cie arquitetura. No clichê, uma vista da praia de Scheveningen, vendo-se os hotéis Kurhaus e Palace, onde se realizaram as reuniões do Congresso.