correntes sempre apresentam considerações sobre os elementos humanos implícitos na proposição regulamentar e na correspondente função a ser atendida pela solução arquitetônica, o certo é que, na grande maioria dos estudos, tal fator acabou por ser encarado de forma superficial e inefetiva, que então viu-se reduzido a noções e critérios pre-estabelecidos. Realmente, não basta apontar as vicissitudes do trabalho nos grandes centros e as necessidades peculiares de repouso e recreação, para definir-se satisfatoriamente um centro de férias. Nesse sentido, é impressionante o número de, projetos que, de início pretendendo analisar as condições de recuperação periódica, física e psíquica, do trabalhador, acabaram por idealizar ambientes em que grandes blocos residenciais divididos em apartamentos ou densos grupos de unidades residenciais parecem reconstituir obsessivamente, no ambiente de férias, as más condições de iluminação, aereação, tranqüilidade e, conforto que se condenam nas grandes cidades. Muitas vezes, os piores efeitos da vida citadina são tomados como padrões o que acontece com número apreciável de projetos em que se cuida meticulosamente de isolar, em boa parte senão no dia inteiro, as crianças de seus pais. Essa incapacidade, de superar ou pelo menos compensar as deformações impostas à existência humana pela atual realidade sócio-econômica, constitue contudo apenas uma face das deficiências reveladas pela grande maioria dos estudantes de. arquitetura que se apresentaram ao concurso. No extremo oposto estão os que, tentando atender às contribuições da tradição local, transferem para a solução presente, elementos de um passado já definitivamente superado e de qualquer forma inadequado às condições atuais. Assim, soluções como a distribuição circular das malocas na aldeia indígena do Brasil, a forma típica do teto de palha construído pelo nativo mexicano, a choça do índio da América no Norte, as estruturas campestres da Eu- CUBA — ESCOLA DE AR-QUITEIÜRA DA UNIVERSIDADE-DE HAVANA Suscinta e correta análise do problema. O plano do centro é ótimo na disposição das partes; suas interligações revelam boa noção de distância com bem estudadas circulações seja de veículos como de pedestres. Inteligente sub-divisão do zoneamento em núcleos de residências cada uma com seu "clube comedor", embora o refeitório não tenha a devida capacidade. As plantas dos edifícios assim como as das vivendas, cujos projetos são inteiramente modulados, definem de forma clara e proporcional os espaços, estabelecem equilíbrio entre zonas verdes e zonas construídas, assim como coordenam bem coberturas planas e abobada-das. Agradável plàsticamen-te, a "plaza" relaciona e dis-tribue de forma segura e harmoniosa os edifícios componentes, perfeitamente a-daptáveis ao clima do local. Louvável a idéia de criação do núcleo para auto-suficiên-cia do centro, bem disposto e resolvido dentro do zoneamento geral. Apresentação gráfica de primeira ordem, clara e bonita, havendo a lamentar porém a inclusão de vinhetas humorísticas de mau gosto. ropa Central que traduzem fiel e eficazmente padrões de organização social e, pois, necessidades, aspirações, costumes, convenções, instituições — representam mentalidades que inutilmente se buscariam identificar com as da chamada cultura ocidental moderna e muito menos, com elas mesclar. Qualquer transposição de elementos de tal ordem, constitui, nesse sentido, uma dupla violação que tanto despreza as solicitações presentes a que. se finge atender, quanto desrespeita as culturas anteriores a que se pretende reverenciar. Esse, grave equívoco, infelizmente en-contradiço no II Concurso Internacional para Escolas de Arquitetura, só tem paralelo na gratuidade com que se propõem certas formas, estranhamente elaboradas e. sem melhor razão do que o arbítrio de seus inventores, que supõem possível forçar o homem a qualquer ambiente de vida apenas para atender ao seu desejo de originalidade, E, aqui, a crítica não deve se dirigir apenas aos que propuzeram formas insólitas ou "econômicas" para as unidades de habitação mas todos quantos pretenderam surpreender com soluções inesperadas, e justificadas, em seus projetos. Assim o esforço dos jovens que enviaram trabalhos à competição de São Paulo, se. disperdiçou, em grande parte na má solução plástica, na abundância de elementos desnecessários, na falta de cooperação da componente e no sacrifício do conjunto ao de.talhe. Ficou evidenciado que os alunos não aprenderam suficientemente o problema cujo sentido para eles permanece impreciso. Dai as soluções propostas constituírem em sua maioria, mero exercício gratuito. Manda contudo a justiça acrescentar que tais deficiências, devem ser atribuídas menos aos alunos que às escolas e professores, pelo seu insucesso em incutir nos estudantes a mentalidade verdadeira do arquiteto. Tais observações dão base e razão à prefexência do júri, que distinguiu acima de todos, "ex-aequo", os projetos dos estudantes japoneses e cubanos.