ESPACIOS — (o.» 23-24 México) Inegavelmente outro excelente número dessa Revista. Nela encontramos além da continuação da obra do arquiteto Carlos Lazo, junto ao Ministério de Comunicaclones, uma série de enquetes não só a arquitetos como também a pintores, escritores e estudantes; mantendo-os numa íntima união cultural. A revista que é de Planificação, Arquitetura e Artes Plásticas, envereda pelo campo de Literatura, do Teatro, da Dança, do Cinema como complemento natural às necessidades desses artistas interligados, (muito embora no presente número não seja essa a intenção). Assim é que "Espacios", integrando todas essas manifestações artísticas, consegue ser mais que uma Revista, e mais que um livro; um termômetro das atividades culturais do país. Apenas a complexidade da apresentação, como assinalamos anteriormente é lamentável nessa publicação. Se voltamos a insistir, é porque as mesmas dificuldades anteriores se nos depararam novamente ao folhearmos este número. Estamos convencidos, que esse "barroquismo", imprimido a composição de cada página, se depurado, ofereceria aos leitores melhor assimilação dos assuntos ali tratados. Não chegamos a compreender a necessidade desse excesso de côr, de superposição fotográfica, de títulos em vários sentidos, para expor qualquer assunto. Nem mesmo a "ligação" ao passado e as próprias tradições mexicanas respondem — ao nosso ver — a essa valorização fatigante da forma em detrimento da compreensão. O editorial é uma síntese do trabalho dessa revista desde seu primeiro número há 7 anos. Dai destacamos: "Espacios está decididamente contra o funcionalismo desumano e abstracionlsta, que pretende desenvolver-se a margem da estética realista, o que eqüivale a dizer que repudiamos a arquitetura pela arquitetura assim como repudiamos a arte pela arte". "Igualmente rechaçamos o conceito capitalista da função do arquiteto, que reduz suas atividades principalmente a projetos de casas residenciais para as classes privilegiadas (de nossa parte desconhecemos esse conceito) e, por contra posição, estamos firmemente ao lado ca arquitetura social, daquela que se expressa em traços de casas para operários, de habitações coletivas, de centros escolares e hospitalares, de fábricas e de grandes núcleos urbanos. Também por isso nos opomos ao oosmopolitismo arquitetônico, que tende a estandarlizar a expressão das diferentes culturas nacionais amputando seus valores próprios, desligando suas raízes, criando maneiras de vida extranhas a nossa nacionalidade." Sob o título "Planificação", encontramos um levantamento de "Dados básicos para a planificação nacional", do arquiteto Carlos Lazo, onde êle faz uma análise detalhada dos aspectos físicos, humanos, econômicos, políticos e administrativos do México. É uma descrição fiel e realista daquele país. Há três anos, quando da posse do atual governo mexicano, uma acertada medida governamental — (de colocar técnicos e não políticos a frente dos Ministérios) —, confiou ao arquiteto Carlos Lazo o Ministério das Comunicaciones. Imediatamente Lazo, somando à sua experiência, (adquirida na organização e execução da Cidade Universitária) o idealismo de uma equipe de jovens, atacou frontalmente o problema máximo de sua pasta e deu ao México o estudo de sua planificação nacional, e com êle a organização cie uma equipe completa de artistas, técnicos, e cientistas que unidos se propõem a resolver os vastos e complexos problemas do urbanismo, da produção, sua distribuição e consumo; enfim de uma forma de vida do país. Esperamos pois que "Espacios" continue a divulgar esses estudos e soluções que por certo além de nós muitos outros estão atentos aos resultados dessa experiência de vanguarda, que torna o México a proveta mais preciosa, (pela grande semelhança aos nossos problemas), da qual nos podemos servir. Algumas páginas dedicadas a II Bienal de S. Paulo, transcrevem opiniões cie Gropius, de Hiroshi O Hye arquiteto japonês, Peter Graymer, jovem arquiteto britânico e Max Bill, com sua discutida conferência proferida na FAUSP. Diz; H. Ohye em suas impressões: "Eles, (os nossos trabalhos), parecem estar desenhados principalmente para impressionar, e para serem vistos só em reprodução fotográficas"... "a grande característica da arquitetura brasileira é sem dúvida a exuberância." EL ARQUITECTO PERUANO — abril, 1955 (Peré) Encontramos, neste número, sob o título "ARQUITETURA SOCIAL NA ITÁLIA: INA-CASA", a grandiosa realização do governo italiano, na qual a união de arquitetos e engenheiros, realizam uma obra de grande alcance social-econômico. Reconhecendo que a construção, entre as atividades produtivas é justamente a que se utiliza do maior número de indústrias, bem como das mais diversas categorias de trabalhadores; a Itália pelo Plano Fafani, aliviou ao mesmo tempo os problemas: moradia e desemprego. Deve-se salientar, que a execução deste plano não caiu no erro tão comum em casos semelhantes, que visando o inte^ rêsse político-social, despreza o lado arquitetônico e urbanístico, o qual ausente á construção em larga escala, só pode produzir resultados funestos. Para que esta realização, atingisse um alto nível arquitetônico, recorreu-se ao profissional independente, e para isso, foram realizados 30 concursos públicos, eonlhendo-se daí os melhores colaboradores. Uma equipe de 1.300 profissionais, entre arquitetos e engenheiros foi então criada. Dos resultados obtidos em estudos e realizações, a INA-CASA, estabeleceu, um conjunto de normas, tais como: densidade máxima de 500h/hect., pé direito mínimo 3,30m. etc. Como os projetos, provêm dos melhores arquitetos italianos, sente-se a não existência de um estilo, tendo cada projeto características pessoais, como soluções próprias para o local a que se destina, por se acharem as obras, espalhadas em 4.200 das 7.600 comunidades italianas. O número de moradias entregues chegam a casa dos 110.000, e o ritmo atual deste plano permite acabar semanalmente, 560 habitações, asse-gurando-se o trabalho contínuo de 50.000 trabalhadores em 2.000 comunidades. Temos ainda neste número a anotar de interessante a des-criminação da reconstrução da Catedral de Cuzco, sob a direção do arquiteto Andres L. Boyer.