NOTAS SOBRE A EVOLUÇÃO DA MORADA PAULISTA Este trabalho é o quinto de uma série de 8 artigos sobre a evolução da residência paulista, escritos pelo arquiteto Luis Saia, chefe do 4.° Distrito da DPHAN. O primeiro — Nota Prévia, o segundo — Casa Bandeirista, o terceiro — Arquite- LUÍS SAIA __ arquiteto tura de Circunstância e o quarto — Intermezzo Roceiro, foram publicados respectivamente nos N.° 201, 202, 203 e 204 Chele do 1V Distrito do Patrimônio Histórico desta revista. As notas restantes tem os seguintes títulos: e Artístico Nacional Ciclo Ferroviário, Gran Finale com Rampa e Pilotis e Meditação Solitária. (Todos os direitos reservados). V — ECONOMIA DE SOBREMESA A produção extensiva e monocultora do café no tailidade de escravos egressos dos ciclos do ouro e da Brasil foi uma conseqüência indireta da aventura cana de açúcar, napoleômca e do bloqueio continental: 1) desorganizou-se a produção cafèeira da Amé- Do ponto de vlsta da residência, o pioneirismo foi rica Central, até então controlada pela França ° parâmetro de mais decisiva influência, pois dele oferecendo a oportunidade para a suostituição da dependeram os tipos de estrutura demográfica, de zona produtiva; 2) tumultuou-se a produção üe açu- exploração da terra, de instalação dos estabelecimen- car no nordeste brasileiro, cujo consumo foi substi- tos rurais e urbanos e de assenhoreamento das su- tuido, na Europa, pelo açúcar de beterraba, inventado cessivas regiões que, de 1820 a 1950, foram abertas em meados do século XVIII e só então valorizado e sob a mfluencia da cultura do café. Algumas circuns- aproveitado industrialmente; 3) a arribada da Corte tancias indicam a profundidade dessa influência: a) portuguesa no Brasil e a formação de um governo ao temP° em ° cultlv° da cana de açúcar e todo o Oeste presença de estrangeiros progressistas, inclusive re- do Estado, onde mais tarde o café veio encontrar a íugiados das perdidas possessões francesas (como o area de melhor acolhida, era sertão desconhecido, fazendeiro Lecesne que funcionou, no início da mo- habitado pelos Coroados e Chavantes; b) a instalação nocultura do café, como um verdadeiro instituto ferroviária, comandada indiretamente pelo tipo co- agronômico), os quais, juntamente com alguns pa- lomal de economia e pela preferencia do café pelos dres e nacionais insuflados pelo "O Patriota", cons- s?los de espigao, menos ácidos, agravou a tendência, tituiram a base inicial da ciasse cafésista, esteio e ->a manifesta, de abandono dos meios fluviais de depois liquidatária da monarquia. transporte, levando os estabelecimentos urbanos a preferir uma geografação característica e um dese-Além desta urdidura de condições favoráveis, ou- nho interno de tipo reticulado; c) a montagem de tros fatores, de vária procedência, completaram o indústria madeireira, facilitada pela ferrovia, e um quadro de parâmetros que contribuíram para o de- contacto maior com a burguezia urbana, levou a ar-senho característico do ciclo do café como economia, quitetura do rural a adotar formas e soluções ante-como fenômeno social e político, e. também como riormente de dificil conjectura; d) a obsolecência rá-arquitetura residencial típica, rural e urbana: a) con- pida das instalações, tanto rurais como urbanas, diçáo peculiar do produto, sua essencialidade menor; determinou condições de grande receptividade ante b) condições de pedologia e de clima, restringindo a influências européias que não conflitassem com os área de sua preferência à uma faixa limitada e a problemas de mão de obra, embora pudessem re-determinados tipos de solo; c) condições demográfi- presentar, como de fato representaram, um processo cas e de tradição, exacerbando uma forma de pio- ininterrupto de debilitação do organismo econômico neirismo para o qual já estava a comunidade predis- regional; e) a sobrevivência do automóvel, longe de posta e no qual concorreram ainda outros fatores de obstar o desenvolvimento tradicional, funcionou co-agravamento. mo fator de agravamento do seu sentido negativo. .,.,., . . ., Nesse quadro, de desenho tão sensível, o único deno-A essencialidade menor, o sobresismo do café, co- minador comum das sucessivas fases foi a mão de locou este ciclo sob o controle, facü dos grupos ca- obra durante os primeiros cem anos, a técnica de pitahstas do mercado internacional, os quais ja en- construir. A técnica erudita, o tijolo, a telha francesa, contrando uma acolhida favorável na fragilidade da &g instalações de água esgôto e eletricidade, etc, são estrutura econômica existente com grande desenvol- contemporâneos (na zona rural) do automóvel e sò-tura se colocaram no comando, nao apenas da eco- mente influiram na região Qoeste do Estado. Fora norma do café, mas também, dada a proporção desta . tudo Q representasse acolhida de influência no quadro político e no volume de exportação, no européia na arquitetura do café, tanto na urbana comando do próprio desenvolvimento do pais. A comQ n& rural represejltava uma importacão direta: circunstancia da sede política coincidir com a latitude degde ag deg de ferrQ Qg balcõeg da fazenda da faixa geológica mais adequada ao plantio exten- p&u Gran6d no comêco do século XIX, até os azu-sivo do café influiu na escolha deste produto como 1(. &g ¦ og vidros decorados, os arquitetos luiz-base financeira e condicionou ô ulterior desenvolvi- quinzados, art nouveaux, os estilos, inclusive o momento do país, constrangendo entre o paralelo 20 e o dernQ anterior a 1935. Sob a contingência de tão Capricórnio a maior soma de iniciativas progressis- complexo feixe de fatores, a arquitetura do café gatas; o que determinou ai alta concentração popula- nhou uma individuaiidade muito grande no ambien-cional e econômica. O pioneirismo, preludiado pela nacional SloSÍ e^^^T^tmpoSenL %£*£' fe fato, o projeto da sede de uma fazenda mono- além disse.Wjtóii^ ^It&^TK^^ solos. qu«' faltassem o tipe, deLK^*^e ^STSí- ™dêl° de distribuição demográfica pela região caria, tao do gosto do colono Português s de> seus con dadeg estabeiecidas representam tmuadores nacionais, cedo encontrou na cultura do f-nômenos inéditos de regionalização café o ambiente ideal para o seu exercício e as for- fenômenos inéditos de regionalização, mas peculiares para a sua caracterização. Para isso Embora nova como plano geral, a sede cafésista concorreu além dos fatos já assinalados, a disponi- herdou o partido aglutinado dos engenhos do litoral