NOTAS SOBRE A EVOLUÇÃO DA MORADA PAULISTA Este trabalho é o sexto de uma série de 8 artigos sobre a evolução da residência paulista, e&critos pelo arquiteto Luis Saia, Cheíe do 4.» Distrito da DPHAN. O primeiro — Nota TTTT«CA¥A •+ + Prévia, o segundo — Casa Bandeirista, o terceiro — Arquite- JL, U 1 » SAIA — arquiteto tura de Circunstância, o quarto — Intermezzo Roceiro e o quinto — Economia de Sobremesa, foram publicados respec- Chefe do IV Distrito do Patrimônio tivamente nos N.° 201, 202, 203, 204 e 205 desta revista. As Histórico e Artístico Nacional notas restantes têm os seguintes títulos: Gran Pinale com ílampa e Pilotis e Meditação Solitária. (Todos os direitos reservados). VI — CICLO FERROVIÁRIO , „ nante cafesista, o que veio criar um elemento da A economia do café, comandando a distribuição de- maior vaiidade social e política; principalmente pornográfica no Estado de. Sao Paulo do século passado, titicã, e através do qual essa classe assumiu prerroga-contaminou a instalação ferroviária. A influencia dos tivas inéditas no fim do Império: os cafesistas se interessados na manutenção do regime colonial na transformaram, de apoio que eram, em liquidatários economia, somente compareceu quando se tratou de da Monarquia. Não tem outro significado a presença abocanhar aquilo que os desarvorados grupos finan- política de Campinas, Itú, Rio Claro, Piracicaba, cida-ceiros regionais realizavam: se apossando da obra des cujos nomes comparecem amiude nas prelimina-de Mauá (SPR) e instalando um monopólio de passa- res da história republicana e, na abolição da escrava-gem do produto principal da Província por Santos e tura_ A essa mudança entã0 havida no comportamento São Paulo. Quando surgiu a oportunidade deste mo- da superestrutura da comunidade, e acentuada pro-nopólio ser desmantelado pela construção de uma gressivamente pela imigração, pela República, pelo outra saida para o mar (E. de ferro Taubate-Ubatu- automóvel e pelo acolhimento de novas técnicas, cor-ba), sustaram-na a meio da sua construção. A segun- responde uma larga perspectiva para o uso de utili-da tentativa nesse sentido (E. de ferro Norte-sul, de- dades importadas, cuja movimentação no mercado sembocando em Cananéia) foi frustada pela guerra mterno foi generosamente facilitada — e controlada — de 1914. Essa situação dos grupos capitalistas foi fa- pelo esquema dendrítico da rede ferroviária esta-cilitada pelo pioneirismo, pelo imediatismo econômico oelecida da política cortesã e pelo império dos caprichos das n da de mais izada das múltiplas facções em que se dividia a classe dingen- ünham ^^ aP ui^etura do c£Jé teve te, ainda impregnada de feudalismo seiscentista Dai ^ abandonad em beneficio do tijolo, da telha fran- a multiplicidade de bitolas, outro fator importante dQ ferrQ e do ccncreto armado. Esta foi a pri. de inadequação e fragilidade da rede ferroviária. O meira de oportuiüdade burgueza da classe do- que ocorreu com Mailasqui em Itu ilustra bem o mrnante paulista, ja então de posse de. uma técnica quanto estes grupos se enfraqueciam mutuamente, me iüa enfeitar a fachada e utilizar este simplificando a tarefa de controle da rede viária e da enfdte comQ um elemejltó de vaiorização sociaL Daí economia regional: a criação da E. F Sorocabana re- & carreira fuigurante do frentista e o prestígio do sultou simplesmente da ma acolhida que teve na artífice italiano, mais aparelhado do que o espanhol reunião em que se fundava a Cia. Ituana, a preten- e Q português na manipulação deste gênero de traba- çao ^dos sorocabanos de estender essa ferrovia ate lho Com Q üjolo yeio a madeira serrada em bitolas aquele centro comercial. Danado da vida, Mailasqui comerciais, em mecanismos movidos à vapor e depois voltou a Sorocaba onde, insuflando a vaidade e o à eletricidade, e trafegada entre os centros de produ- orgulho dos comerciantes locais, conseguiu fundar cão e de consumo pela ferrovia. A inumerável quan- uma companhia própria com base num traçado di- íidade de uülidades imp0rtadas, cujo uso passou a reto de Sao Paulo a Santo Antônio. constituir o apanágio da classe dirigente, tanto nas Nesse quadro vulnerável, a ferrovia se instalou cidades como nas fazendas, tanto na vida pública e com uma subserviência que veio acentuar e agravar oficial, como na vida particular e doméstica; e cujo os vícios da monocultura do café, cujo sentido nega- volume e capacidade de atingir um número cada vez tivo se estabelecera em função dos fatores ja assina- mais elevado de pessoas pode, eventualmente, ser ila- lados em nota anterior. Nestas circunstâncias, o pro- cionado à certos acontecimentos marcantes da vida cesso de assenhoreamento da área do Estado, ja em regional. A Convenção de Itú assinala o desvincula- curso e. segundo características próprias, recebeu um mente da política feudal, a introdução do empreen- reforço considerável. Nem mesmo aquelas estradas dimento, da sociedade anônima e da falência, da de ferro construídas com objetivos diferentes daque- estrada e do trole (trazido pelo imigrantes america- les impostos pela economia do café, conseguiram se nos do norte), da organização dos serviços públicos furtar à sua influência: a E. F. Noroeste teve que e da montagem da sociedade urbana; o Convênio de abandonar um traçado ribeirinho (Araçatuba-Itàpura- Taubaté consagra a política tarifária e, financeira que Rebojo) para aceitar uma diretriz de espigão, ja en- permitiria, em escala crescente, o uso alastrado das tão tradicional na rede paulista. Aliás, esta mesma utilidades procedentes ou controladas por países já Noroeste, na escolha do seu ponto de partida, foi pro- industrializados: energia elétrica, bonde, automóvel, fundamente influenciada pelos caprichos particulares instalações domésticas e públicas, cinema e estilos que impediram uma organização mais racional da (e a grande época dos estilos); a greve de 1917, a se- trama viária. O estabelecimento de Bauru como nó mana de arte moderna, a crise de energia de 1925 e viário, se. não foi puramente acidental, pelo menos as revoluções de 1930/32 e 35 trazem sinais cada vez não representa o resultado de um gesto consciente mais fortes do comparecimento do problema social na e da consideração objetiva dos fatores presentes política, na arte e mesmo na estrutura da comunidade, Foi .em função de fatos dessa natureza e da espécie &^T^SA tfana ma" JStavS? própria do seu funcionamento que a ferrovia condi- „e'f°í „ a concentraçao ur Dana, mas ainda racionou a tetônica paulista, valorizando de forma in- ?Ulado a "ma. fo™ulaçao novecentista, e obrigado a correta e interina a nucleacão urbana, promovendo o tomar conhecimento daquelas questões que so se tor-uso e carreando utilidades de importação, simplifi- £arlam ev.4enteJ comf a /e§u£da g.uerra mundial, cando o controle da economia regional, suscitando fe- CertfS P°slSoes> de Profunda influencia nos aconteci-nômenos contraditórios, cuja presença ja indisfarça- mentos posteriores sao oficialmente inauguradas: Ma-vel, influirá certamente no rompimento do esquema " ° f tf ^ híf.ratuJa' Monteiro Lobato e Cin-econômico vigente. cAmato BJ?ff na analise dos problemas econômicos, „ Anhaia Mello e Saturnino de Brito na proposição de Com a valorização das unidades urbanas se acen- problemas administrativos e técnicos. Inaugurações t^uou a ambivalência cidade-fazenda da classe domi- apenas, e da maneira nacional.