ângulo decorativo e sentimental, e em que a sua vida da comunidade em função do produto previle-pesquiza se faz com indisfarçável intuito de rebuscar giado; na fase expansionista da ferrovia, acatando o inspiração plástica, por vezes contraditória com o interesse colonizador através da aplicação do plano material, com a técnica, com o agenciàmento e com reticulado e se conformando com a ausência de. qual-as finalidades. Esta última atitude, tão do gosto do quer exclusividade estilística. Se cada época e cada atual movimento de valorização estética da arquite- comunidade têm uma temática expressiva e uma tura tradicional brasileira, obscurece e obnubila a intenção peculiar, é evidente teimosia pretender re-riqueza de contribuição que ela representa para o petir experiências plásticas destituindo-as de senso e arquiteto contemporâneo, no sentido de aparelha-lo de funcionalidade, especialmente quando essas expe-com uma sensibilidade que é indispensável para a riências não representem — como não representam consulta, consideração e interpretação dos fatos re- no caso particular de São Paulo atual — a única e gionais, ações essas do trato diário e precípuo do mais importante contribuição para a solução dos le-arquiteto. Estamos longe, neste assunto, de acredi- gítimos problemas regionais. Tal pretenção, da matar que a ilustração mais ou menos fotográfica, de- neira exclusivista com que é conduzida, constitue sacompanhada de exegese correta, possa conferir ao um grave descaminho. estudo da arquitetura tradicional uma função satis- De fato, é evidente que a intenção do atual estágio fatória. Ainda que alguns pensem que a intuição da sociedade paulista não é realizar uma absurda possa suprir as deficiências de formação profissional, competição formalística, mesmo porque parece claro tal não se dá, pelo menos numa profissão de compro- que esta corrida não conduz a nenhuma saída ope- missos tão objetivos e, tão interessados como a do rante, tanto no que, concerne à reorganização do es- arquiteto. Ninguém me convence que o Aleijadinho paço regional, como no que diz respeito, particular- era apenas um mulato artisticamente dotado e com mente, ao problema da residência. Neste sentido, é profundo sentimento plástico; inteligente, dotado e tão falsa a atual posição dominante, que nem mesmo muito culto, isso sim. Ninguém pode afirmar que aquelas soluções contemporâneas comprovadamente Corbusier, Frank Lloyd Wright ou Lúcio Costa sejam razoáveis como formulas destinadas a encaminhar apenas fruto de inteligências previlegiadas, senso ar- um modo aceitável e decente para a questão da mo- tístico notável e bossa profissional; além de inteli- rada moderna nas grandes aglomerações — embora gentes e artisticamente capazes, esses artistas digni- ainda representando uma solução particular e de ficam sua obra e sua atuação profissional com um significado restrito — mesmo estas formulas não preparo minucioso e continuado, com o apuro cons- encontraram ainda meios de serem confeccionadas. É tante de seus conhecimentos, com a audiência per- o caso da "unidade de habitação", por exemplo, de manente das realidades sociais, com a atualização do conceituação teórica e, prática tão cabalmente reali- seu aparelhamento mental sempre em consonância zadas em outros lugares e paizes, e ainda ausentes da com a estrutura íntima da comunidade em que nossa paisagem.. vivpm A pertinência de conjecturar tão grave déficit co- A interpretação direta dos problemas, quando no- mo de responsabilidade profissional é justa, não só cionados através de um lastro suficiente de conheci- porque os arquitetos têm se ausentado da proposição mentos técnicos e com uma alta consciência de sua mais consentânea dos problemas que, lhe dizem res- qualidade e significado, é que podem conferir ao peit0 e que representam a solução básica para as trabalho do arquiteto aquela simplicidade apenas questões de morar, como também porque o volume aparente, porém hábil para conduzi-lo ao âmago das das obras da atual demanda é de, tal ordem que não soluções e delas extrair a forma e a sintaxe arquite- pode ficar impune e exclusivamente a mercê das de- tônicas mais próprias para contar a posteriore — o cisÕes leigas. Neste sentido, não só os arquitetos têm que se quiz interpretar. A pesquiza desesperada colaborado no estudo e na execução de construções de desta interpretação unicamente através da forma — o sentido nitidamente negativo, como também tem si- que, leva a arquitetura modernista de São Paulo a lenciado s-ôbre sua inconveniência ou propositalmente uma exploração incançável e inútil de combinações praticado certa maneira de encarar os problemas re- dos elementos da linguagem plástica que incidental- gionais que de modo algum pode ser definida como mente serviram a alguns projetos nacionais mais a mais acertada nem para a classe nem para a coleti- reussidos (rampas, pilotis, brise-soleil, etc.) — sobre vidade. Esta atitude, embora corajosamente comba- constituir uma preocupação amazônicamente alheia à tida por alguns profissionais mais conscientes, impede substância do verdadeiro problema, representa um que a arquitetura contemporânea alcance um compor- desmentido à respeitável lição da arquitetura tradi- tamento capaz de acolher as possibilidades oferecidas cional, cuja "inteligência" e temática expressional pela técnica moderna, os extraordinários partidos pro- souberam, mesmo nos momentos de atividade cria- porcionados por uma conceituação desemperrada e dora mais discreta, manter-se num alto nível de res- livre, e também uma fisionomia plástica cuja escala peito próprio, resolvendo sem pretenções os proble- e significado sejam dignos dos problemas atualmente mas que lhes eram propostos pela comunidade: na propostos pela comunidade paulista. Se de um lado fase bandeirista, acolhendo a intenção de criar o a natureza específica de tais problemas conduzem a estabelecimento estratégico e reprodutor; no período atenção e atividade profissionais a novos caminhos, cafesista, resolvendo o enquadramento de toda a desconhecidos pela formulação acadêmica, caminhos