uma amplificação de 10.000 vezes! Por esta razão, nosso ouvido é praticamente indiferente ao fato de uma melodia ser executada por um ou dois violinos; grandes coros e orquestras-monstro significam para nós uma sensação numérica mas não acústica. O cinema é hoje em dia o divertimento mais difundido. As suas dimensões dependem logicamente das possibilidades oferecidas pelo terreno, como também da quantia monetária que o proprietário deseja empregar. Existem duas fórmulas empíricas, as quais facilitam grandemente a futura correção acústica — 2:3:5, ou 3:4:5 (relação —¦ altura:largura:comprimen-to). Entra agora em foco a visibilidade, a qual requer, para um maior aproveitamento (maior número de espectadores e maior comodidade), outras dimensões. Resta fazer uma combinação feliz entre os fatores: boa visibilidade, comodidade física do espectador, boa acústica e boa ventilação. Por melhor que seja a solução, as primeiras filas sempre serão prejudicadas, como também uma grande parte das cadeiras laterais. O ângulo de inclinação dos projetores deve ser o menor possível, porque um ângulo inconveniente deforma a imagem projetada; conclue-se que o ângulo não deve ter mais que 11°. A cabina de projeção deve não somente ser bem ventilada, como deve ter um isolamento acústico perfeito. As paredes e o forro podem ser tratados com grossas camadas de lã de vidro, a qual tem a vantagem de ser incombustível. As máquinas devem ser montadas sobre material sumamente elástico, mas ao mesmo tempo seguro para evitar eventuais vibrações. Nas aberturas da parede, por onde passa a faixa luminosa da projeção, devem se colocar dois cristais de primeiríssima qualidade, os quais é recomendável montar em encaixes de borracha; a almofada de ar entre esses dois cristais deve ter no mínimo 0,15 m, e o ar contido no espaço entre os cristais deve ser estanque. Na sala de projeção, deve-se sempre evitar paredes ou forros côncavos. Caso haja um balcão, o mesmo não deve avançar muito na sala, para evitar maiores profundidades cobertas por êle, o que prejudica o som; se não for possível assim, tem-se de recorrer a um auxílio eletro-acústico. Complica-se o problema com os filmes do sistema estereofônico. Voltemos ao ouvido humano. O ouvido humano registra um som emitido, o qual é recebido uma vez diretamente e pela segunda vez por reflexão; se há uma diferença maior que 1/16 seg., ouve-se dois sons. Por exemplo: um "stacatto" de violino, composto, digamos, de 20 sons individuais e de certa duração, pode ser ouvido como se fossem 40 ou mais; tratando-se de sons diferentes de maior duração, haverá superposição. Ambos os casos são bem desagradáveis. O impacto das ondas sonoras refletidas no ouvido humano nunca deve ultrapassar a 12,00 m de percurso. Este fator exige, em geral, que as paredes laterais dos cinemas sejam tratadas. Existem várias possibilidades: as diretas (por absorção) e as indiretas (chicanas). refletem fortemente as ondas sonoras. Visto que o público conversa na sala de espera, é mister interceptar esses ruidos na sua passagem pela porta ou portas de acesso; recomenda-se para estes casos portas com almofadas de material apropriado (tela plástica recheada com uma grossa camada de lã de vidro), e na sala de espetáculos, colocar-se a uma distância não menor que 1,00 m, cortinas de veludo, assegurando uma barreira aos ruidos vindos do "hall". Cuida-se da propagação dos ruidos produzidos no telhado pelas chuvas, intercalando-se uma camada de lã de vidro entre as telhas e o forro. No que se refere à sala de projeção, o tratamento depende não somente do tamanho da mesma, como também de seu feitio. No cálculo acústico deve-se prestar atenção ao tipo de equipamento sonoro (eletro-acústico) a ser instalado, se é de foco único ou múltiplo, direcional ou disperso. As melhores plantas para as salas de projeção são aquelas em que a forma é de trapézio-truncado ou trapezoidal. A pior planta é a circular ou a semicircular. Repetimos que forros em forma de cúpula ou côncavos, e paredes côncayas nunca devem ser empregados. Deve-se dar preferência a cadeiras estofadas, tanto no assento como no encosto. No cálculo acústico não pode ser esquecido pelo técnico que a película já traz gravada uma determinada reverberação (nas películas modernas iguais a 0,5 seg.; nas antigas até 1,2 seg.), adotando-se, então, meios que levam a uma reverberação mais curta. Os estúdios modernos, em quase sua totalidade contam com uma correção acústica excelente. No teatro, é absolutamente necessário que a amortização do som e o tempo de reverberação sejam exatos, pois contamos como manancial de som com a voz humana, que. é limitada. Realmente, nossa boa vontade procura aguçar o ouvido ao máximo, mas sempre se presencia cenas em que nosso vizinho de poltrona pergunta ao outro: "Que foi que o ator disse?", e ainda o caso em que uma parte, dos espectadores ri e os demais ficam com cara de bobos! Espetáculos em que os espectadores se esforçam durante duas horas para poder acompanhar o desenrolar da peça, nunca deixam uma boa impressão, por melhor que seja a peça e por melhor que sejam os artistas. Pode acontecer que o cálculo acústico do teatro seja perfeito, mas ainda assim pode haver perturbações. É que na montagem foram empregados materiais inadequados. No Teatro Bela Vista e Maria delia Costa foram empregados materiais especializados de fabricação nacional, com índice satisfatório. Aconselha-se que seja consultado o técnico de acústica antes da montagem para evitar-se eventuais prejuízos posteriores. É lógico que também o palco deve ser incluído no cálculo acústico. O teatro moderno é equipado com um sistema eletro-acústico, que serve para os mais diversos fins. A campainha estridente para avisar o público do início do espetáculo foi abolida. Um gongo suave, gravado em discos, seguido de uma voz agradável, através do sistema de altofalantes causa melhor impressão. Nos bastidores, distribuem-se dois ou mais microfones, os quais, através de um amplificador, levam os acontecimentos do palco, aos camarins. Desta forma, o artista no camarim pode acompanhar o desenrolar das cenas e entra no palco com segurança, preparado como se houvesse assistido todo o espetáculo; o contra-regra pode se comunicar por este meio com os artistas em seus camarins, fazendo chamadas ou advertências. Para o "background" também é necessário um sistema eletro-acústico. Por exemplo: no palco estão dançando um minueto — reproduzido pelos gabinetes acústicos instalados nos bastidores em posição adequada — enquanto na "rua" o povo está em revolução e ouve-se um murmúrio com diversas palavras que se sobressaem — fundo este reproduzido por gabinetes acústicos na platéia, causando um efeito realista. O sistema eletro-acústico da sala de espetáculos pode ser combinado com o instalado na sala de espera para transmitir uma música adequada nos intervales e depois de terminada a representação. O sistema eletro-acústico deve ser de alta-fidelidade. Os gabinetes acústicos devem ser instalados de maneira a ficarem invisíveis. Não somente a qualidade do som deve ser de primeiríssima ordem, como também sua distribuição (tapete musical). Os forros devem ser calculados com o maior cuidado. Partindo da sentença "o que é funcional não é feio", podem ser encontradas formas de correção de que o decorador pode aproveitar-se. Sempre se deve ter em conta os ruidos produzidos no interior do cinema e os oriundos do exterior. A chamada "intensidade sonora admissível" é igualmente de importância, a qual nos cinemas é de 15—23 db. As salas de espera geralmente são atapetadas, amortizando assim o ruido dos passos das pessoas, mas a propaganda exposta acha-se em vitrinas cujos vidros