atinge a sua significação mais alta e convincente; não Ela ê cimento, pedra e areia; ê vidro, ferro e alu- me refiro apenas à arquitetura moderna, que, há mui- mínio; é a membrana vibrante, o espectro de uma to tempo já desfruta de grande conceito internacional, equação funcional, a forma pura e harmoniosa mer- mas também à arquitetura de nossos tempos de co- gulhada no espaço de Hilbert. lônia, conservada e valorizada com a boa vontade e Não pode haver campo mais vasto para a nossa interesse dos poderes públicos, e pelo esforço dis- curiosidade e a vossa investigação, não pode haver pendido de quase 20 anos de trabalho. Deve ser mo- domínio mais atraente e sedutor para a vossa sensitivo de contentamento para os arquitetos recém-for- bilidade. Tendes nas mãos agora, e no espírito, um mados constatarem que no mesmo momento em que mundo de materiais e de leis matemáticas e estéticas um profissional contribui no bairro de Hansa, em que ides utilizar na vida, que ides experimentar como Berlim, para a renovação arquitetônica de um grande profissionais. Porque é no Erlebnis, isto é, na expe-centro urbano europeu, projeta um edifício para a riência vivida, que residem todas as vontades, todas cidade de Havana, e um outro, — um museu de Arte as tendências e liberdades contidas, determinadas no Moderna — para a capital da Venezuela, ilustre con- âmbito das possibilidades físicas. Do que estou a servador do Museu do Louvre, em longo e minucioso dizer se verifica que a experiência que vos indico não estudo, ocupa-se da nossa arquitetura colonial; a con- é apenas a que resulta do emprego de um formulário, sagração no estrangeiro da obra de Oscar Niemeyer nem a que fica estéril, prisioneira dentro de normas e o livro de Germain Bazin sobre a arquitetura bar- obsoletas, mas a que nos é ditada pela intuição e pelo roca no Brasil são testemunhos da privilegiada situa- espírito de invenção; e para maior validez do que ção em que se mantém essa arte em nosso país, privi- vos digo, reproduzo aqui as palavras de Philip Frank: légio que deveríamos estender a outros ramos da ativi- «Em sua atividade própria, o físico é sempre um dade artística e cultural. Um novo acontecimento não pragmatista no que diz respeito ao verdadeiro. Ne-menos relevante coincide com esta formatura; é o de nhuma experiência poderia estabelecer uma coinci-nos sertões de Goiás iniciar-se a construção da nova dência entre objeto e pensamento. A experiência é capital do país. Trabalho de urbanização dos mais feita de «erlebnisse» e não de objetos; não possuímos arrojados, empresa que marcará entre nós uma nova objetos para estabelecer com eles a coincidência men-etapa no nosso desenvolvimento político e econômico, cionada. O físico apenas compara experiências vivi-Brasília será o centro de irradiação das forças pro- das com experiências vividas; a verdade de uma teo-gressivas que animam, vitalizam nossas fontes produ- ria êle a controla mediante «concordâncias e coin-toras e constituem os fundamentos de grandes resiil- cidências». tados e esperanças. O que está aí aplicado pode ser estendido ao ar- Mas, quando mesmo não existissem esses motivos, quiteto e ao engenheiro porque ambos trabalham num as próprias qualidades da arte de construir, todas campo tão suscetível de modificações como o da física, fixadas no objetivo único do conforto e bem-estar do tendo mesmo com esta relações muito íntimas; o ar- simples cidadão e da coletividade em geral, bastariam quiteto está hoje dependendo das modernas invenções, para a satisfação daqueles que estão na vez de con- dos sempre renovados processos construtivos que lhe quistar o direito e a capacidade de exercê-la. dão meios para a criação de novas formas, elementos t ._. . . , , I para a formação de ambientes mais compatíveis com A arquitetura e a arte completa, a arte suprema, r . T ' , s . ,..r ,. . , ., „ , , -j. a vida moderna; o arquiteto esta sujeito a outras leis arte cuja grandeza se manifesta em todas as cWCliza- . ,. T .1 , . , , . ,, . u mais complicadas ainda, leis de ordem psicológica e çoes e culturas: nasceu no campo, no tempo em que -ti- -i i i~ - , 77 social, leis surgidas de correspondências e concor- os homens começavam a lavragem da terra, nasceu no t- ¦ • t ¦ t i r i>¦' ¦ ¦ , ¦ ¦ , dancias mais vasas e fugidias do que as da tísica; a mar, como a própria vida, com os primeiros barcos , ° '. , • . , • ^, . j r r , experiência de um arquiteto deve ser portanto vivida, que se aventuraram ao mistério das ondas e dos hori- . r ., , „ • » , • r • • - 7 a i ¦ i i instruída pelo gosto artístico, pela intuição das so- zontes. A ela estão associadas as mais nobres espe- , \ . ° , , r 7 ~ 7 - ¦ ; 77 ¦ luçoes mais lustas e adequadas, culaçoes do espirito humano, com ela o homem mves- y, í ^ .. „ i ... 7 7 j Lompreende-se assim como e complexa a profissão tiga o seu destino, sonda os arcanos do espaço e da , r. , r r i .- ¦ r¦ ~ ¦ do arquiteto e porque ela representa uma soma de matéria, e, numa transfiguração continua, vai-se revê- . .,* , ? i - 77- 77 j r., i -. atividades que abrange um grande numero de disci- lando ao mundo e a si próprio, t feita para a pro- ,. ^ _ , ,° P, t ¦ ¦ ? t * . - i i--jti.ii. punas, que vao desde a teoria da elasticidade as tec- teçao do seu cansaço, para a oficina do seu trabalho, r. 'S1 , , . _, _ ., . j j • ' -7 • 'i- nicas do som, do frio, das instalações elétricas, etc: para o seu repouso derradeiro, mas, sobre a vigília :¦ ~ \ ¦ ¦ r 7 -, -7 ' . „i'„ -7 „ __, j a profissão do arquiteto e coordenadora de outras ou sobre o sono, e também o ninho permanente das :¦ - - - r i t~ 77 7 -7't, • profissões, nao como simples articulação sem com- forças moleculares e do equilíbrio. r ' . •"?"./• t j promisso, mas visando o fim precipuo da beleza e da A arquitetura que deu a Goethe ainda jovem, dian- harmonia, um sentido plástico para os espaços habite da catedral de Strassburgo aqueles iluminados pen- tává^ smtido que re(dke esm aiianca^ sempre aíme. samentos sobre o construtor Mestre Erwin e que estão jada e muho poucas yêze$ conseguida entre espírito na origem da revalorização do estilo gótico, ao poeta „ matória Paul Valéry as páginas admiráveis de Eupalinos e ao a„ „„„„,-,„,„ „„a„ „„,•<. „^,„ „ j „,• - -j J n • 7 7 7- ¦ - Ao arquiteto cabe pois uma grande missão na vida arquiteto Augusto Perret uma acuidade auditiva tao . „„ „,,„ ,„„u~ „;j„ „fA u„;„ . _ „¦„ í -v j ^ , p ... , e eu que tenho sido ate noje um simples auxiliar de extraordinária que o fazia ouvir «o canto dos pontos „*¦„,,,v„í„ „„„ „„,™ „,„„ j;_ „ • / z. • , . " 7-77- 77- arquiteto sou quem vos diz, eu um simples engenheiro de apoio», continua sendo, ainda hoie, a arte de dic- j„ „.,„,»„_„„ „,,„ j„j,-„„„ a l •....»• „ r . ., . . . i • de estruturas que dedicou a boa causa arquitetônica çao mais lírica e perfeita, o documento mais com- *„„;<, J„ „„•,„*„ „„„,. J„ í,„t,„7í. /„ _ z. j *. --77 7 77 mais de vinte anos de trabalho e algumas horas de pleto da atividade cultural de um povo. „„„.,-;<./,•„ „ „,,„ „„„^7z,„„, „ ¦ i j i r r angustia, e que escolhestes paraninfo de vossa for- Ela é o Templo do Céu, de Pequim, o Tai-Mahal matura. Mas como engenheiro a serviço por tanto de Agra, na índia, o Partenon de Atenas, a catedral tempo dessa arte tão ilustre e verdadeira me sinto de Burgos, a Torre Eiffel, e também o Golden Gate com credenciais bastantes para acolher-vos, em nome de São Francisco na Califórnia, o grande transatlân- dos arquitetos, no seio dessa profissão nobilíssima que tico riscando o horizonte com a linha belíssima da preferistes. sua proa, o avião a jato no seu vôo monumental. Joaquim Cardozo