filosófico, de vez que se trata, em sua origem, de con- pelo sensório. Eis como trabalha o arquiteto, só que versas com meus fregueses. O único motivo que me o faz de uma forma mais constante que o confeiteiro induziu a meditar sobre essas coisas encontra-se no preparador de quitutes. A matéria prima do plas- fato de eu receber incumbências e de debatê-las com mador, do "figurador" é, evidentemente, sempre o os meus comitentes, entre os quais não figuravam lu- sensório. minares, porquanto tratava-se apenas de eletricistas Estamos cercados, a toda hora, de figuras. Se não de estúdios cinematográficos ou de mestres de escolas tivermos em derredor figuras compreensíveis, porém do povo. As conversas eram, portanto, as mais sim- o caos, definharemos, pereceremos. Isso ocorre em pies imagináveis, limitando-se, invariavelmente, as me- muitas cidades norte-americanas e verifica-se em múl- ras necessidades fisiológicas deste homem, daquela tiplas cenas urbanas, ao aproximarmo-nos de uma ci- mulher, dos seus filhos, etc. Nada de complexo con- dade, viajando em um trem expresso. O que costu- tém, por conseguinte, o livro. Meus fregueses costu- mamos ver na estação ferroviária, ao desembarcarmos, mavam dizer-me i "Isto se deu entre nós e o senhor. é, em grande parte, medonho. Não seria uma boa idéia, se o senhor lançasse isto Os visitantes dos Estados Unidos terão observado, no papel, para aqueles que jamais lhe deram emprei- que se trata de um país em quS; não 0bstante toda radas?" Tentei, então, resumir, de alguma forma, a 1 organização industrial e todo o progresso técnico, coisa. Se meus ouvintes compreenderem, porque me reina uma confusão que não apenas atormenta a dispus a escrever, então constatarão que não se tra- gente mas faz com qu8; anua|mente, 9 milhões de tava, portanto, apenas de uma nova filosofia. concidadãos meus mordam as unhas nas ante-salas Mas, talvez tenhamos aí, de fato, uma nova filo- de consultórios de médicos psiquiatras. I absoluta- sofia I Não sei que é que o termo filosofia significa, mente ridículo não enxergar a ligação existente entre realmente, no momento atual. Nos Estados Unidos essa barafunda amorfa do ambiente e os nervos aba- a única grande filosofia até hoje surgida é o pragma- ,aclos- Naturalmente a "etiologia" não é lá muito tismo que afirma ser verdade aquilo que trabalha. simples, nem neste caso, nem naquele. Todavia, eu Louis H. Sullivan, que vim a conhecer e venerar pouco nã° poderia exercer a atividade de arquiteto, se não antes de sua morte (e em cujos funerais travei conhe- acreditasse, honestamente, que o meio físico exerce cimento com Frank Lloyd Wright), traduziu esse prag- influência sobre a alma humana. matismo como sendo estética, ao dizer : "O que fun- Antes, porém, de exibir fotografias, consoante de- ciona é belo, o que trabalha é verdadeiro". Na sejo manifestado, eu deveria falar sobre a alma. As época em que o conheci era extremamente arriscado fotos são, freqüentemente, uma grande ilusão A afirmar isso. Em toda a nação norte-americana não idéia de que uma imagem revela mais que 10.000 existia sequer uma pessoa que acreditava nisso, no palavras, segundo reza, parece, um provérbio chinês, que dizia respeito a beleza arquitetônica. A todos é um recurso assaz perigoso de permitir que predo- isso parecia absolutamente néscio e ridículo. Wright mine a educação puramente visual. Sou, antes, de era, então, uma personalidade não reconhecido, des- opinião, que o arquiteto deve jogar com todos os prezada e perseguida. A idéia de que a figura su- sentidos. cede à operação não pode, de modo alqum, ser pro- m___ :„i . i i ¦ . ¦ .¦, ¦ . \^ * K^ ' ,a ' ¦¦ Meus ouvintes, sentados em cadeiras confortabilissi- vada tisioloqicamente. O contrario pode ser provado __„ „=,„ t , „i„ t j • •- a r^^ sms h"u,uuu mas, sao, naturalmente, de opinião, que seus orgaos ao menos tão bem ou mesmo me mor. Fiaura siqnifica, I .„:„ I IM t- u i * a raramrara visuais ou auditivos estão absolutamente atentos, sem, simplesmente, o que for combinado, sensitiva e diaq- „„4.„4.„„4. u .. _, , \ ' m y1' oglum™ c u,u» entretanto, perceberem que retransmitem, de segundo nosticamente, em um espécime. Pode, por exemp o, m „ „___i „-iu- _i • • • r~ i r • ' K ' K r ' em segundo, milhões de avisos sensonais. Cada fei- ser o pio de um pássaro, o que representa uma fiqura __ j„ MUNI__ „„ „ - ^i_ i • ,.r ni i i "a"1^ xe de músculos exerce pressão sobre outro feixe e acústica. Pode ser uma combinação de cores e for- „i____ t „ r^~ ^ iu, alguns se atraem reciprocamente. Dao-se empuxos e mas, de variedades de uz compostas em uma combi- „„,...x„,. „^ „•„.__» -i _i r , ^""-" pressões que sao precisamente aquilo de que o pro- naçao de cores e formas, de variedades de uz com- MMH *„ m j„ -„ i-< l • * . i , , ', , 1 , mÈHNÈÈ etista teria de se ocupar, como, alias, o enqenheiro postas em unidade inte igive . Tudo isso e fiqura. ¦ ¦___¦ j n^rr,- a * » j. r a B se ocupa de strains and stresses em sua construção Figura é, em primeira linha, o que, por exemplo, anorgânica. Talvez os ouvintes venham a sentir que o arquiteto, o urbanista deverá produzir. Não é nada sua posição sedentária seja penosa; talvez não conde estático; é algo de altamente dinâmico, conforme sigam inspirar a quantidade suficiente oxigênio,- quiçá já foi dito. E' uma seqüência de impressões sensoriais este recinto esteja demasiadamente saturado de umi-que produzirão um perfeito jogo de energia no sistema dade; pode ser que aflorem pérolas de suor às frontes nervoso, fazendo surgir e ativando, conseguintemente, 1 se manifeste, subitamente, enfado. Todavia, não muita outra coisa. sou eu quem, na realidade, vos fadiga. E' a associa- . , , T , . ção de arquitetos e engenheiros que projetaram este Apanhe-se um quitute qualquer. Teremos, ai, pri- ¦ _ -. ' , , . ; \ ' , ¦ i a • i. j • u. j salão. Ura, reza um provérbio trances, se bem me meiro, uma torma visual. Ao introduzirmos o quitude , , „_, , ., . „ . , . . . i , lembro : Cherchez I arquitecte . na boca sentiremos uma serie de outras impressões. Manifestar-se-á algo de natureza tátil e intramuscular. Ocorre, entretanto, este aspecto maravilhoso em re-Ao iniciar-se a mastigação, perceber-se-á, certa elasti- lação ao arquiteto : mantem-se êle, por assim dizer, cidade que é agradável e a que, há muito já, estamos camuflado. Conserva-se afastado do palco, nos basti-habituados. Ora, o quitute sabe bem. Tem-se, tam- dores. Ali êle se posta junto a um quadro de distribui-bém, uma impressão sensorial olfativa, porquanto ção e de sua prancheta faz irradiar uma série de estí-elementos voláteis se misturam com o ar que penetra mulos. Os espectadores assistem ao drama represen-pelas narinas. Cheiraremos todos os ingredientes, a tado no palco. Nada percebem do que o homem maioria dos quais nem são os que agem gustativa- oculto faz de certo ou errado. Ninguém descobre o mente. A isso tudo acresce ainda a impressão termal, arquiteto. Ora, isso é muito bom para êle. Se o tese o quitute fôr soboreado em estado quente. Vê-se, lhado apresentar uma fenda ou se desmoronar, a Compor conseguinte, quão complicada é a "figura". Acu- panhia Lloyd, de Londres, segura o respectivo arqui-mulam-se associações de idéias, recordações da me- teto contra insucesso. Se, entretanto, o proprietário ninice, lembranças de momentos festivos, etc. ativadas da casa fôr surpreendido por uma ação de divórcio 103