arquitetônico; as conveniências de unidade e harmonia entre os cia, mas um verdadeiro palácio, com o espírito de monumen- edifícios e, ainda, que estes não mais se exprimam por seus ele- talidade e nobreza que deve marcá-lo. Para isso, aprc- mentos secundários, mas pela própria estrutura, devidamente inte- veitei a própria estrutura, que acompanha todo o desenvolvimento grada na concepção plástica original. da construção, conferindo-lhe leveza e dignidade, e esse aspecto Dentro do mesmo objetivo, passei a evitar as soluções recor- diferente — como se pousasse no solo, suavemente. Com esse in- tadas ou compostas de muitos elementos, difíceis de se conterem tuito, as colunas se afinam nas extremidades, permitindo às lajes, numa forma pura e definida; os paramentos inclinados e as formas pelo sistema de "voute" em que se baseam, uma espessura de livres que, desfigurados pela incompreensão e inépcia de alguns, quinze centímetros no eixo de cada espaçamento, estabelecendo-se se transformam muitas vezes em exibição ridícula de sistemas e assim perfeita integração da forma — que caracteriza e expri- lipos diferentes. me o edifício — com o próprio sistema estrutural. E tudo isso procurando não cair num falso purismo, num for- N0 prédio do Congresso Nacional, meu propósito foi fixar os mulário monótono de tendência industrial, consciente das imensas elementos plásticos de acordo com as diversas funções, dando-lhes possibilidades do concreto armado e atento a que essa nova po- a importância relativa exigida, e tratando-os no conjunto como sição não se transforme em barreira intransponível, mas, pelo con- formas puras e equilibradas. Assim, uma imensa esplanada, contrário, enseje livremente idéias e inovações. Obediente a estes trastando com os dois blocos destinados à administração e aos ga-princípios, venho trabalhando desde aquela época. Iniciei a fase binetes dos congressistas, marca a linha horizontal da composição, — como disse — com o Museu de Caracas, concepção de pureza e destacando-se sobre ela os plenários que, com os demais elementos concisão irrecusáveis. E agora prossigo, nos prédios de Brasília, criam esse jogo de forma que constitui a própria essência da ar-aos quais dedico toda atenção, não só por se tratar de obra de quitetura, e que Le Corbusier tão bem define : "L'architecture est grande importância como, também, pelas ocorrências anteriores |e jeu< savant, correct et magnifique des volumes assemblés sous ao seu desenvolvimento, quando me recusei a aceitar a elabora- |a |umière". cão do Plano Piloto, pois, juntamente com o Instituto de Arquitetos HÜHfl j -r " r> j -j _i r • • l. • - i ^,uu uu kt !*¦¦*> f"1 ' i ... , Na Praça dos Ires Poderes, a unidade foi a minha principal do Brasil, trabalhava no sentido da organização do concurso pu- , , i „ * *.. » i ___ , i •" !•£< ¦ preocupação, concebendo para isso um elemento estrutural que blico, reservando-me apenas a tarefa de proietar os edifícios go- j.j j j - i - ¦ jdi ' 7 i ¦ - ¦ atuasse como denominador comum dos dois palácios — o do Pla- vernamentais. Incumbência que nada mais era senão a conti- . , _ T ., . , ___. . .. t i ,rt,ft ¦ i i- ji nalto e o do Supremo Tribunal — e assegurando assim ao con- nuação natural dos trabalhos que, desde 1940, vinha realizando, ¦¦ ». ... , , . , , , , . c j . junto aquele sentido de sobriedade das grandes praças da buropa, ininterruptamente, para o prefeito, o governador e, finalmente, o , . , . ,. , . .,". ¦ ¦ _ K . l. l i dentro da escala de valores fixada pelo magnífico plano de presidente Juscelino Kubitschsk. , . _ I . n „ ,,- Lúcio Costa. Com relação aos trabalhos de Brasília, que espero sejam as minhas obras definitivas, encontrei três problemas diferentes a £s»°* *°o, hoje, as minhas diretrizes de arquiteto. E se agora resolver : o do prédio isolado, livre a toda imaginação, conquanto elas se orientam num sentido de maior pureza e simplicidade, exigindo características próprias; o do edifício monumental onde fundam-se todavia no mesmo conceito de criação - o único capaz o pormenor plástico cede o lugar à grande composição; e, final- de conduzir a uma verdadeira obra de cirte. mente, a solução de conjunto, que reclama, antes de tudo, unidade Estas as diretrizes das obras que projetei para Brasília, obras e harmonia. que acompanho com o maior desvelo, convicto de sua importância No Palácio da Alvorada, meu objetivo foi encontrar um e desejoso de que se transformem em qualquer coisa de útil e partido que se hão limitasse a caracterizar uma grande residên- permanente, e capaz de transmitir um pouco de beleza e emoção. REVISÃO. CRÍTICA DE NIEMEYER J. Vilanova Artigas A revisão autocrítica da sua obra, que o arquiteto A arquitetura brasileira abcndona os aspectos de Oscar Niemeyer acaba de fazer, teve grande reper- submissão ao imobiliário que vinha exibindo, para se cussão nos meios artísticos paulistas, em particular en- projetar com pureza no plano da manifestação cultu- tre os arquitetos progressistas. ral, única forma de ser compreendida. Trata-se de documento rico de sugestões para a Isto, entretanto, não aconteça por um golpe de má- análise da atual etapa do desenvolvimento da arqui- gica. Por isso lutam todos os arquitetos brasileiros, tetura brasileira. Niemeyer nos comunica confiança ainda mantidos num plano de opressão causado pelas no destino da nossa arquitetura e da cultura nacional. restrições impostas pelos meios econômicos, ainda igno- Numa demonstração de grande sensibilidade, define rantes do papel que os profissionais devem desempe- com segurança o significado de certos aspectos deco- nhar. Não é por outra razão que os arquitetos brasi- rativos que imaginamos que de certa forma envolviam leiros lutam pela sua independência como profissio- nossas expressões arquitetônicas, traçando o rumo nais : lutam para livrar-se da limitação histórica a que certo para evitá-los. ^Q se vêem coagidos de serem considerados como uma es- O depoimento deT^liemeyer é uma síntese feliz do pecialização da engenharia, que se continha no espírito de todos os arquitetos sé- Niemeyer com a sua manifestação autocrítica, funde rios do Brasil e marca também o ponto de partida num mesmo bloco todas as reivindicações culturais, para uma nova fase do desenvolvimento da arquite- artísticas e profissionais dos arquitetos, enquanto mos- tura nacional que, dessa forma, mostra o seu rico tra à sociedade o que de grandioso e expressivo o conteúdo, capaz de novas e mais elevadas manifesta- espírito nacional ainda poderá criar de dentro do rico ções formais. conteúdo da arquitetura brasileira. CURSO ESPECIAL DE INGLÊS PARA ARQUITETOS E 24.° CONGRESSO A FEDERAÇÃO INTERNACIONAL ENGENHEIROS DE HABITAÇÃO E URBANISMO Do nosso representante na Federação, arq. Carlos Novas turmas desse curso especial, ministrado pelo Lodi' recebemos comunicado da realização em Lieje, r . j ,,. a • r* i i|. . i i j Bélqica, do 24.° Conqresso, que se desenvolverá de prot. catedratico Armin Gerner, da Universidade de , , , 31 de agosto a 6 de setembro próximo. Para infor- Cambridge, Inglaterra, estão sendo organizadas. Os mações mQJS deta|hadas procurar 0 eng. arq. Carlos interessados poderão se dirigir à secretaria do IAB, que |_odi, da Diretoria da Federação, pelos fones, 8-8849 está apta a prestar quaisquer esclarecimentos. ou 36-7849.