No primeiro clichê, fofo da emenda efetuada num dos esteios, devido ao apodrecimento da base. A seguir, porta de acesso à uma das alcovas. A casa da Fazenda Pimenta possue planta similar à da sede da Fazenda Passa-Três, em Brigadeiro To-bias. Na frente e no centro encontra-se a sala principal, com quarenta metros quadrados e nove metros de comprimento. No meio, corredor central que dava acesso à varanda posterior, hoje demolida para dar lugar a dormitórios de alvenaria. A varanda possuía mais de doze metros de comprimento, sendo iluminada somente por duas janelas. Possuia acesso direto à velha cozinha e deitava mais duas portas para o exterior. Uma delas, a lateral, dava passagem a uma escada externa — curioso pormenor — que leva aos depósitos situados no desvão do telhado e em cima dos dormitórios. Vemos, assim, que neste exemplar arquitetônico continuou q adoção do emprego da água-furtada, ou do sótão, como depósito. A novidade estava somente na escada exterior, sem vedação lateral, além do guarda-corpo. No centro da planta, as alcovas. Antigamente denominadas "camarinhas", as alcovas foram aperfeiçoadas e profusamente adotadas do século XVIII em diante, principalmente nas casas urbanas. Enquanto na arquitetura primitiva, na maior parte das vezes, as camarinhas internas resultavam' da feitura de divisões baixas de tábuas ou de frontais de meia altura, sem prejuízo da ventilação; nos séculos posteriores, as alcovas passaram a ser cubículos estanques sem ar e luz diretos, onde as lamparinas dos oratórios e candeias a óleo de algodão se encarregavam de aquecer e viciar a atmosfera enclausurada. Foram combatidas pelos espíritos esclarecidos por muito tempo, por médicos sanitaristas da corte e por técnicos como César de Rainville, engenheiro autor d'0 Vinhola Bra-zileiro, e somente a legislação moderna é que conseguiu extingui-las. Não passavam as alcovas de uma conseqüência lógica do sistema construtivo, que de- testando telhados movimentados, com espigões e rincões, não permitia pátios ou áreas internas no centro de casas apertadas e geminadas. O comodismo dos telhados de duas águas, e os terrenos estreitos e profundos justificaram o uso das alcovas. Justificaram e fizeram com que a tradição as identificasse como o lugar ideal de dormir, onde o recato e a segurança se aliavam salvaguardando a intimidade. Com o tempo, suas portas pasaram a ser envidraçadas, a ter bandeiras para ventilação, e nada mais. Verdadeiro contra-senso : foram adotadas na roça, onde não havia problemas de espaço. Nesta casa que estudamos, além das alcovas da família, o construtor previu outra para hóspedes, sem janelas, embora o aposento tivesse uma parede separando-o do exterior. O apartamento para hóspedes no corpo da casa, tradição antiga, neste "resto" está bem caracterizado pela porta externa lateral e pela citada alcova. Sua comunicação com o resto da vivenda é efetuada através da sala principal. Poderia ser aventada a hipótese pela qual aquele cômodo sem janelas fosse uma capela. Essa idéia, no entanto, não subisiste porque, havia um oratório, de grandes proporções, chumbado em um canto de cômodo contíguo à varanda. (1) Recentemente tornamos a encontrar idêntica sambladura, em igual posição, em velha casa perto de Cotia. Em Nazareth Paulista, quase todos os postes de iluminação possuem, também, emendas semelhantes, provocadas pelo apodrecimento da base. novo "nabo" colocado no lugar, calçado e ajustado ao entalhe por meio de duas chavetas cravadas. Como foram ancoradas as extremidades dos baldra-mes na nova base, não pudemos ver. Talvez tivessem ficado simplesmente apoiados em tijolos. Tivemos ocasião de observar em outra casa das proximidades, emenda semelhante (1).