VARIAÇÕES SOBRE A ILUMINAÇÃO DE ESCRITÓRIOS Constituem verdadeiras surpresas a qualidade dos edifícios que surgem por detrás dos tapumes localizados quase sempre avançados demasiadamente pelas calçadas já por si estreitas. Não há então quem deixe de observar com particular interesse o novo empreendimento, em cuja estrutura, excluindo um ou outro caso, predomina totalmente o material à base de vidro. Referimo-nos evidentemente aos edifícios para escritórios. Se o lançamento comercial desses imóveis, geralmente feito antes do início da construção, é realizado dentro de processos de venda dos mais evoluídos, através de memoriais descritivos bastante detalhados, já o mesmo não sucede com a apresentação no que diz respeito à sua iluminação. Nesse particular os memoriais são muito superficiais, sendo que quando se referem à iluminação o fazem de maneira sumária e imprecisa. E' óbvio que nesse memoriais devem constar de maneira objetiva qual a intensidade de iluminação a ser adotada nos escritórios e nas áreas de uso comum. Outro ponto de importância que deve constar de um memorial descritivo é a modalidade da iluminação, pois em tais edifícios os efeitos noturnos provenientes da luz artificial é intenso e de grande função estética. Não se estabelecendo previamente um tipo de luz, o que ocorrerá é que cada um se verá com a liberdade de adotar em seu escritório luz incandescente ou fluorescente. O resultado será desastroso, conforme podemos facilmente comprovar em São Paulo. E todo o efeito estético noturno que poderia ser conseguido desaparecerá diante da variedade grotesca de luzes. Daí a necessidade de constar no memorial descritivo o tipo de iluminação recomendada, se bem que essa exigência tende a desaparecer definitivamente. E isso porque, com o decorrer do tempo, todos passarão a adotar em escritórios a iluminação fluorescente, já que esse tipo anula a concentração desagradável de claridade e de calor. De qualquer maneira, um dos modos mais eficazes para resolver a questão da iluminação artificial poderia, no caso exposto, ser aplicado já no próprio projeto, onde o arquiteto determinaria dispositivos embutidos no forro para a instalação posterior dos tubos de luz, com aparência neutra na futura decoração do ambiente. Será que mesmo assim haveria de surgir alguém com a infeliz idéia de fechar o local destinado aos tubos fluorescentes e colocar luz incandescente ? Não nos parece viável essa idéia, mesmo porque as vantagens da luz fluorescente estão já comprovadas. Interessante seria se os projetistas determinassem especificamente a qualidade de iluminação prevista. Eis aí a sugestão que reservamos para este mês, à guiza de abertura para o presente número. ANO XXI — N.°248 Editorial Noticiário Dicionário da Arquitetura Brasileira 279 Eduardo Corona e Carlos A. C. Lemos — arquitetos Conjunto Educacional 283 Roberto Goulart Tibau — arquiteto Fundição de Motores Ford em Osasco 288 Niels E. Hedeager — arquiteto Escola e Centro Piloto de Reabilitação 292 Oswaldo A. Bratke e Alberto de Andrade — arquitetos Residência no Jardim Europa 294 Hoover Américo Sampaio — arquiteto Paisagismo Rodoviário 296 Luiz G. de Siqueira — arquiteto Hospital em Porto Alegre 298 Irineu Breitman — arquiteto Nova loja em São Paulo 302 Romanelli e d'Orfani — decoradores Boletim do Instituto Brasileiro de Acústica 305 Bibliografia 309 Residência em Higienópolis 310 Oswaldo Wolff — eng. civil NOSSA CAP A%£ç|4^ Detalhe do Conjunto Educacional publicado à pág. 283. Projeto do arq. Roberto Goulart Tibau. ACROPOLE - REVISTA MENSAL — Redação e Administração: Rua Barão de Itapetininga, 93 — 5.° - S. 507 Fone: 33-1636 — Caixa Postal 3798 — São Paulo- Brasil. Fundador - Diretor Geral (1938-1952): Roberto A. Corrêa de Brito — Editora: Max Gruenwald & Cia. — Diretor Geral: Max M. Gruenwald — Diretor Responsável: Roberto Fontes Gomes — Diretor Secretário: Eng. Cyro Ribeiro Pereira — Diretor Gerente : Manfredo Gruenwald — Diretor Técnico: Arq. Juvenal Waetge Jr. — Redator: Roberto Paulo Richter — Publicidade: Gilberto Cappellano — Representantes -Rio de Janeiro: Panamérica — Av. Erasmo Braga, 227, 7.° andar, sala 713 — Fone: 42-9240 — Porto Alegre: Max Walter — Rua Garibaldi, 628 — Caixa Postal 1124 — Belo Horizonte: Escritórios Dutra — Rua dos Timbiras, 834 -Fone: 2-6427 — Salvador: João Soares — R. Chile, 1 — Clichês: Clicheria Continental — R. Fradique Coutinho; 452 — Fone: 80-5429 — Composta e impressa nas oficinas da Impressora IPSIS S.A. — R. Silva Bueno, 2125 — Fone: 63-3832 — Capa: F. G. Corrêa Dias. PREÇO DESTA EDIÇÃO: CR$ 40,00 - ASSINATURA ANUAL: CR$ 400,00 - REGISTRO ANUAL: CR$ 100,00