Ofladeíraó e Woveié JOSÉ DE ALMEIDA SANTOS Algumas observações sobre defeitos de construção de moveis Construção e dilatação da madeira Empeno metro tanto maior quanto mais velhas forem as árvores de que procedem fig. 4. Ao serrarmos esse tronco em um sentido paralelo, teremos o resultado que se pôde ver na figura 3, quanto á disposição das camadas das fibras do lenho. As contrações e as dilatações se esclarecem um pouco quando se operam nesse sentido normal, isto é, paralelas ás Os manufatureiros de mobiliário vêm-se, em todo o mundo, a braços com o mais sério problema de acabamento, constituindo este na dificuldade que apresentam certas estruturas de móveis cujos desenhos ou estilos obrigam deixarem-se tá-boas soltas como, por exemplo, tampas de papeleiras, abas de mesas de cancela (gate leggs), tampos de mesa de jogo e de sala de jantar. Muitos recursos têm sido usados para atenuar essa dificuldade, tais como requadragem, festeiras e compensado-folhea-do, aplicados nessas folhas soltas afim de que não empenem e não façam movimento que chegue a prejudicar a estrutura. Os cuidados de construção acabados de enumerar, não suprimem os inconvenientes em virtude do nosso clima diverso e inconstante nas várias regiões do país. Além de tudo, a humi-dade faz desprenderem-se as folhas do compensado, por muito esmerada que seja a fabricação. A contração ou a dilatação das frentes de gavetas, dos tampos soltos e outras partes do movei que tantos aborrecimentos causam aos fabricantes e aos clientes — gavetas emperradas, fechaduras deslocadas — poderiam ser remediadas se contássemos com recursos avançados de defesa que estão ainda muito longe das nossas possibilidade técnicas, científicas e, principalmente, econômicas. Entre outros, o corte em épocas apropriadas — controlado pelo Departamento Florestal do Ministério da Agricultura que por intermédio dos agrônomos ensinaria os processos aconselháveis — e a serragem correta. A serragem que denominamos de correta é, por enquanto em um teor acadêmico, pois, as dificuldades decorrentes do elevado preço da mão de obra da serragem e as perdas do material muito maiores do que no sistema de pranchas paralelas, impede que o mesmo, reconhecidamente superior, seja aplicado industrialmente: é o processo indicado por Herbert Cescinsky de corte radial. 0 referido autor nos mostra os diferentes processos de serragem em (1) tangenciais, a vulgar; em (2) radiais, o tipo de serragem ideal para os serviços onde o custo da madeira não é muito grande em relação ao total, como o mobiliário, por exemplo, mas que não é usada entre nós, pelas razões que aduziremos em seguida; em (3) mixta que, como o processo indica, é uma serragem sob os dois primeiros planos: tangencial e radial, figs. ) e 2. Se considerarmos um tronco de jacarandá paulista ou da Baía. ou outro da classe a que pertence a maioria das espécies arbóreas brasileiras, verificamos que o seu crescimento se deu por camadas sucessivas, formando um superposto anelar de dia- a forma de grandes cristais dispostos em espiral agrupados em feixes sub-microscópicos, chamados "miceías" ou "fibrilas". No caso do inchamento, a humidade absorvida não pôde impregnar as "micelas" mas penetra entre elas e, pela força capital, afasta-as com tremendas tensões. Como os feixes de micelas estão dispostos em espiral com a maior dimensão no sentido do crescimento da árvore, sendo relativamente muito estreitos rio sentido transversal a expansão ou inchamento se processa proporcionalmente muito mais no sentido normal ás fibras do que fibras, segundo a teoria do doutor G. L Clark, da Universidade de Illinois, que estabelece em suas explicações que os fenômenos referidos resultam de processos físicos e não de reações químicas. "A celulose lenhifícada de que são formadas as células constituindo a estrutura da madeira apresenta-se sob