Não iremos aqui descrever os diversos tipos de sondagens, apresentaremos tão somente um quadro descriminando os principais daqueles tipos, sua aplicabilidade e a natureza das amostras colhidas. Por êle pode-se verificar que dois são os tipos de sondagens particularmente utilizáveis em estudos de fundações: o tipo de percussão com lavagem, no caso de se desejar uma simples des-criminação das camadas que constituem o solo, e o tipo especial que permite a retirada de amostras indeformadas, cujo uso é indicado no caso de querer-se aproveitar ao máximo todas as propriedades do solo. O tipo de percussão, com lavagem, consiste em cravar no solo um tubo de guia de aço doce, com paredes suficientemente espêsras para suportar a cravação e o arran-camento, dentro do qual introduz-se um tubo galvanizado de uma polegada de diâmetro. Este toma o nome de tubo de lavagem. Uma bomba manual faz circular água dentro do tubo de lavagem a qual vai erodir o solo no fundo do furo. A água levanta-se depois entre o tubo de lavagem e o tubo de guia transportando para a superfície o material erodido. Para facilitar a perfuração é colocada na ponta do tubo de lavagem uma ferramenta de corte, convenientemente furada para dar passagem à água de lavagem. Um movimento de percussão do tubo vai erodindo o material no fundo da perfuração. Obtêm-se amostras representativas das diversas camadas atravessadas interrompendo-se o processo de lavagem e tro-cando-se a ferramenta cortante por um barrilete ou por um trado. Deve-se ter o cuidado de remover previamente toda a água do fundo do furo afim de se obter uma amostra com a umidade natural do terreno. Dessa forma pode-se definir perfeitamente o sub-solo, ou verificar a conveniência de uma sondagem mais precisa e determinar as alturas de onde devem ser extraídas amostras indeformadas. O segundo tipo de sondagem que interessa ao engenheiro de solos, é o tipo especial para retirada de amostras indeformadas. É um processo imprescindível no estudo apurado de uma fundação, porém, não atingiu ainda o grau de perfeição necessária para ser entregue à prática corrente. Envolve tais complicações de detalhes que é sempre recomendável deixar sua execução a cargo de uma instituição especializada. A importância da arte de obter amostras indeformadas é tal que a American Society of Civil Engineers mantém um notável engenheiro europeu, H. Juul Hvorselev, incumbido de pesquisar os diversos processos e crear um tipo de amostreação de indeformadas que seja, de fato, livre de críticas. Aliás aquele engenheiro já publicou seus primeiros resultados (2) os quais foram lidos no último Congresso de Mecânica dos Solos na Purdue Uni-versity. FUNDAÇÕES DIRETAS Foi Terzaghi quem teve a felicíssima idéia de imaginar uma fundação direta circular como correspondente a um sistema "equivalente" (3) constituído por um núcleo cilíndrico de solo, comprimido no topo pela sapata de fundação, e cintado por um anel do mesmo solo. O núcleo carregado comprime-se axialmente e tende a dilatar lateralmente contra a parede interna do anel. Ensaios levados a efeito por diversos pesquisadores e por diferentes processos levaram Terzaghi a fixar as relações entre o diâmetro da sapata, a altura do núcleo e a espessura do anel. Partindo desse princípio de equivalência Terzaghi chegou a deduzir sua fórmula para capacidade de carga das fundações diretas ctr-culares, permitindo resultados mais próximos da realidade do que qualquer das fórmulas existentes. Abriu, além disso, um caminho. quasi ilimitado, para a pesquisa da capacidade de carga dos solos de fundações. Uma generalização dessa fórmula para o caso de uma fundação de forma qualquer é de se desejar, porquanto, até hoje só foi feita, aliás pelo próprio Terzaghi, uma extensão da mesma para o caso das sapatas corridas. No caso de fundação direta a capacidade de carga depende, de um lado, da própria forma da fundação, como foi dito acima, e do outro de sua densidade aparente e da sua resistência a cisalha-mento (dependendo da resistência a cisalhamento, depende do atrito interno, e da coesão, e portanto, da distribuição granulométrica, compacidade e forma dos grãos do solo e da pressão capilar existente nos vazios do mesmo). Em solos arenosos, sendo os vazios relativamente grandes, não existindo coesão, a pressão capilar é desprezível em face das forças apJicadas. A capacidade de carga, dependendo diretamente dessas forças aplicadas e das dimensões da área carregada, cresce proporcionalmente ao raio da sapata circular. E' expressa pela fórmula 2 °rup. = 2 y r ía , sendo y a densidade aparente do solo, r o raio da sapata e e = tg2 (45 - (p/2), onde